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02/03/2010 - 05h10

Avião da FAB com 30 brasileiros resgatados no Chile chega a SP

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O avião com 30 brasileiros que estavam no Chile chegou por volta das 2h30 da madrugada desta terça-feira (2) na base aérea de São Paulo, ao lado do aeroporto de Guarulhos. Eles vieram no avião reserva da FAB (Força Aérea Brasiliera) que acompanhava a aeronave do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita feita ao Chile ontem.

De acordo com a assessoria da presidência, o grupo de escritores que participava de um congresso de literatura no Chile estão entre os que embarcaram no país na noite de ontem. Além deles, foram selecionadas pessoas que deixaram seus nomes em uma lista na embaixada brasileira no Chile -- idosos, gestantes e crianças foram priorizados.

De acordo com o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, José Castilho Marques Neto, todos os brasileiros que participaram do Congresso Ibero-Americano de Literatura Infantil e Juvenil voltaram no voo da FAB. "Depois de tanta confusão, finalmente chegamos em casa", disse Castilho à Folha Online.

Além dele, estavam no voo as escritoras Lygia Bojunga e Ana Maria Machado; a especialista em Monteiro Lobato, Marisa Lajolo; a ilustradora Ângela Lago; Tânia Rösing, organizadora da Jornada de Passo Fundo (RS); Peter O'Sagae, do site Dobras da Leitura; e a secretária executiva da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) Elizabeth Serra. Idosos, crianças e uma mulher grávida também retornaram ao Brasil.

Castilho disse que o embarque em Santiago, apesar de "pouco convencional", foi tranquilo, assim como o voo. Segundo o Itamaraty, no Chile, verificou-se que havia lugares vagos no voo da comitiva presidencial e foi decidido que o grupo de brasileiros poderia embarcar na aeronave.

Ajuda brasileira
Segundo o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, que também estava no voo, cerca de 300 a 400 brasileiros ainda estão no Chile e aguardam para voltar ao Brasil. Garcia confirmou que no máximo amanhã (3) um avião Hércules da FAB embarca para Santiago, capital chilena, para trazer outro grupo de brasileiros.

Além do avião de resgate, o presidente Lula prometeu ao governo chileno o envio de um hospital de campanha da Marinha Brasileira, além de envio de profissionais de saúde e de resgate, para o auxílio às vítimas do terremoto no Chile. "O Brasil fará tudo ao seu alcance para que o povo do Chile sofra o menos possível com esta catástrofe", disse Lula, após reunir-se com a colega chilena, Michelle Bachelet. "O que nós sabemos é que vai ser difícil reconstruir tudo o que foi destruído, mas o povo chileno já está acostumado com isso", afirmou o presidente brasileiro no aeroporto de Santiago.

Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Chile no Brasil, Álvaro Díaz Pérez, definiu o ocorrido como a “pior catástrofe” desde 1960, quando houve um terremoto de 9,1 graus na escala Richter. O embaixador confirmou também que o Brasil deve ajudar o Chile na reconstrução das pontes danificadas e construção de pontes móveis. “Não é necessário comida nem água em garrafa. O que o Chile precisa é de hospitais de campanha, equipes de resgatistas [profissionais de saúde], apoio para o sistema de geração de energia e estruturas para [montar] pontes modulares. Isso está sendo conversado com o Gabinete de Crise do governo [que funciona na Presidência da República] para definir a operacionalização”, disse Pérez.

Segundo o presidente Lula, não há informações de brasileiros vítimas do tremor. Ele acrescentou que a embaixada brasileira seguirá "atenta". O presidente brasileiro chegou ao Chile após assistir à posse de José Mujica em Montevidéu, teve um rápido encontro com Bachelet para expressar suas condolências e a solidariedade das autoridades e do povo brasileiro, além de ajudar na coordenação da ajuda humanitária.

"Quero agradecer ao presidente Lula, que demonstra mais uma vez que é um grande líder mundial e da América Latina, e um grande amigo do Chile", afirmou a presidente chilena.

Tragédia

O governo do Chile aumentou para 723 o número de mortos e para 19 o de desaparecidos no terremoto de 8,8 graus na escala Richter, que atingiu parte do país na madrugada de sábado.

Além dos mortos, cerca de 500 mil casas foram destruídas, de acordo com a presidente. "Estamos enfrentando uma catástrofe gigantesca, que irá exigir um esforço de recuperação gigantesco", disse Bachelet, após encontro com ministros e militares no palácio La Moneda.

A capital Santiago, a cerca de 320 quilômetros do epicentro, foi atingida duramente pelo sismo. O aeroporto internacional está fechado por a menos 24 horas uma vez que o terremoto destruiu calçadas e quebrou vidros de portas e janelas.

Segundo a polícia, mais de cem pessoas morreram em Concepcion, a maior cidade da área próxima do epicentro, com cerca de 200 mil habitantes. Muitas ruas da cidade ficaram cobertas de escombros, e centenas de detentos escaparam da penitenciária após o tremor.

Em 1960, o Chile foi atingido por um terremoto de magnitude 9,5, um dos mais fortes já registrados. O tremor devastou a cidade de Valdivia, matou 1.655 pessoas e causou um tsunami que atingiu a Ilha da Páscoa, distante 3.700 quilômetros da costa chilena. A onda continuou e chegou ao Havaí, Japão e Filipinas. As ondas que chegaram nas Filipinas demoraram cerca de 24 horas para atingir o país.

O terremoto deste sábado foi sentido em São Paulo e também nas Províncias argentinas de Mendoza e San Juan. Uma série de abalos subsequentes atingiram a região costeira do Chile.

Prejuízos

A empresa Air Worldwide, especializada em avaliar o impacto financeiro de desastres naturais, disse nesta segunda-feira (01) que o prejuízo total por causa do terremoto do fim de semana no Chile pode ultrapassar os 15 bilhões de dólares.

A empresa calcula que as seguradoras terão de pagar indenizações de cerca de 2 bilhões de dólares. O valor assegurável das propriedades comerciais e residenciais na zona entre Concepción e Santiago, a região mais afetada, foi estimado em 275 bilhões de dólares sendo 70 por cento na capital e 5 por cento em Concepción.

"O prejuízo econômico total seria severo por causa dos danos não só em edifícios, mas também pelo impacto da infraestrutura como estradas, pontes, aeroportos, redes elétricas e de telecomunicações", disse Jayanta Guin, vice-presidente de pesquisa e modelos de risco da Air Worldwide.

Calcula-se que haja cobertura de seguro para 10 por cento dos imóveis residenciais e 60 por cento das propriedades comerciais. 

*Com informações da Folha Online, Agência Estado e Agência Brasil

  • Reuters

    Parentes e bombeiros buscam por sobreviventes entre os escombros na cidade de Concepción

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