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02/03/2010 - 10h24

Chile diz que 500 estão feridos por terremoto; 100 gravemente

Da Reuters
Em Santiago
  • A cidade de Talcahuano foi completamente destruída depois da passagem de um tsunami, gerado pelo terremoto

    A cidade de Talcahuano foi completamente destruída depois da passagem de um tsunami, gerado pelo terremoto

Atualizada às 10h48

Cerca de 500 pessoas ficaram feridas pelo devastador terremoto e os tsunamis que assolaram o Chile no fim de semana, disse o governo nesta terça-feira.

Essa é a primeira vez que o numero de feridos pelo tremor é informado oficialmente. O ministro da Saúde, Alvaro Erazu, explicou a jornalistas que 100 pessoas se encontravam em estado grave.

O terremoto de sábado, um dos mais poderosos dos últimos 100 anos e que foi seguido por tsunamis, deixou ao menos 723 mortos.

Uma das cidades mais afetadas foi Concepción, a segunda maior cidade do país. Lá, as autoridades chilenas prorrogaram a vigência do toque de recolher, enquanto militares redobram seus esforços contra a onda de saques e crimes ocorrida depois do devastador terremoto de sábado.

O toque de recolher valerá até meio-dia desta terça-feira, depois que saqueadores queimaram lojas e moradores se queixaram de uma piora na segurança pública e da demora por parte do governo na entrega de mantimentos.

Apesar da chegada de milhares de soldados para ajudar a polícia local, as autoridades lutam para restaurar a ordem em Concepción, muito afetada pelo tremor de magnitude 8,8, que matou pelo menos 723 pessoas.

Os moradores da cidade estão se organizando em grupos para proteger suas propriedades, e a prefeita afirmou que os saqueadores estão ficando mais organizados.

"A ajuda do governo tem sido lentíssima, muito lenta", disse a professora Carolina Contreras, de 36 anos, que vive próxima a Concepción.

"Não temos água nem luz, não há nada. Os militares chegaram só ontem, e isso não basta para controlar a situação. Os moradores de onde eu moro se organizaram para nos defender, porque estão saqueando as casas."

A presidente Michelle Bachelet condenou "a pilhagem e a delinquência" e enviou 7.000 soldados à região, além de decretar toque de recolher.

O terremoto, um dos mais intensos da história, ocorre num momento em que o Chile, uma das economias mais estáveis da América Latina, tenta se recuperar da recessão provocada pela crise financeira global.

A empresa Air Worldwide estimou que os prejuízos podem superar os 15 bilhões de dólares. A Bolsa e o mercado cambial locais resistiram bem.

Depoimentos e mais:

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O governo admitiu dificuldades no pronto envio da ajuda, devido a problemas de infraestrutura. Houve críticas à atuação das autoridades particularmente na cidade de Talca, onde o principal hospital desabou parcialmente.

"Não recebemos nenhuma ajuda do governo. Esperávamos mais e ainda esperamos três coisas básicas: comida, água e eletricidade", disse Damian Vera Vergara, de 68 anos.

Em Concepción, equipes de resgate notaram na segunda-feira sinais de vida nos escombros de um edifício, onde pode haver cerca de 60 mortos. Os bombeiros perfuraram paredes depois de ouvir sons que poderiam vir de sobreviventes

O sismo provocou fortes ondas em localidades litorâneas do Chile. Só a cidade de Constituición teve 350 mortos confirmados.

As minas do Chile, maior produtor mundial de cobre, retomaram suas operações, e o Banco Central disse que manterá as taxas de juros, já em níveis baixíssimos, para estimular a economia.

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