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02/03/2010 - 07h15

Nenhum prédio deveria ter caído com terremoto no Chile, diz arquiteto

Carlos Iavelberg
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Se as construções chilenas tivessem sido erguidas obedecendo às atuais normas vigentes no país, nenhum prédio teria desmoronado com o terremoto que atingiu o país no último sábado (27), deixando mais de 700 mortos. Essa é a opinião do chileno Rodrigo Vidal, arquiteto doutor em urbanismo e professor da Universidade de Santiago do Chile.

Para Vidal, os terremotos que atingiram o país em 1960 e em 1985 – de magnitude 9,5 e 7,8 na escala Richter, respectivamente –, fizeram com que o Chile desenvolvesse leis e normas capazes de evitar que prédios desabem caso um sismo atinja a região.

“Com um terremoto de magnitude 8,8 [na escala Richter, os edifícios] não deveriam cair. Se o Chile já registrou um terremoto em 1960 de grau 9,5, temos de supor imediatamente que nenhuma construção pode colapsar com tremores menores que 9,5”, afirma Vidal.

O especialista chileno cita a queda de dois edifícios localizados em Concepción, a cidade mais afetada pelo tremor. Um deles, de 14 andares e 80 apartamentos, tinha sido construído há apenas um ano. “Não era para cair”, diz, enfático. A presidente do Chile calculou, na segunda-feira (1º) que cerca de 500 mil casas foram destruídas em todo o país.

Vidal explica que as técnicas de construções foram melhorando nas últimas décadas. “No terremoto de 1960, caíram muitas construções de adobe [tijolo feito à base de argila e palha] e barro, principalmente, e algumas de madeira e tijolo. No terremoto de 85, se colapsaram as construções de adobe e as estruturas de concreto. Já agora, muitas dessas estruturas aguentaram melhor”, justifica.

Segundo explica o especialista, a partir das lições aprendidas, o Chile aprovou leis que obrigam que se estude a estrutura da construção e o terreno levando em conta a possibilidade de ocorrências de terremotos. “Em muitos casos os edifícios, mesmo com boas estruturas, colapsam porque os terrenos são macios ou são terrenos com parte macia e parte dura”, diz.

De acordo com Vidal, essas construções não necessitam de materiais especiais para aguentar um tremor. “Gosto de dar um exemplo bem simples. Se eu construo um muro de adobe no qual coloco apenas barro e palha, não tenho a segurança de que esse adobe vai suportar um movimento forte como o que tivemos no sábado de madrugada. Agora, se eu combino, como diz a lei, que o adobe esteja dentro de uma estrutura de madeira, as chances são quase zero. No fundo, estou usando materiais comuns como adobe e madeira, mas os estou utilizando bem”, explica.

Assim como nos casos dos edifícios, o arquiteto afirma que algumas pontes e viadutos também poderiam ter suportado o tremor se tivessem sido construídas de maneira correta.

O chileno também não poupa críticas às construções muito próximas à costa. “Em um país como o Chile, que sofre constante ameaças de terremotos e tsunamis, não se pode construir tanto ao nível do mar", afirma. A maioria das mortes foram causadas pelo tsunami provocado pelo tremor.

Apesar das críticas feitas por Vidal, o brasileiro Antônio Eulálio Pedrosa Araújo, engenheiro civil especialista em pontes e grandes estruturas e conselheiro do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro), afirma que o Chile é um país bem preparado para terremotos. "Toda a estrutura vibra, mas ela tem de suportar, dentro de um limite, essa vibração. E quando há um sismo, há uma vibração e as estruturas têm de ser dimensionadas, como é o caso do Chile, mas não o do Haiti", compara Araújo. A comparação entre o tremor que atingiu o Chile e o que devastou o Haiti no dia 12 de janeiro – um tremor de 7 graus que deixou mais de 200 mil mortos – tem sido feita para ilustrar a diferença de organização entre os países da América Latina.

Apesar de o Brasil ser um país que não costuma registrar terremotos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) aprovou uma norma em 2006 que fixa requisitos para a construção de edifícios no país levando em conta a ação de sismos.

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