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03/03/2010 - 19h15

Chile confirma 802 mortos em terremoto; Bachelet diz que número pode subir

Da Reuters
Em Concepción

A presidente chilena, Michelle Bachelet, afirmou nesta quarta-feira (3), com lágrimas nos olhos, que a cifra de mais de 800 mortos pelo devastador terremoto poderá subir. Até o momento o governo já confirmou a morte de 802 pessoas, mas ainda restam desaparecidos. O número foi divulgado na sede do Escritório Nacional de Emergência pelo subsecretário do Interior, Patrício Rosende. Quatro dias depois de um dos terremotos mais violentos da história, helicópteros, lanchas e equipes de socorro continuam à procura de sobreviventes.

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"Tenho a impressão de que vai haver mais mortos", disse Bachelet com a voz embargada durante uma entrevista à rádio chilena Cooperativa.

Após críticas às autoridades nos últimos dias, a Marinha assumiu a culpa pela falha na comunicação com as populações costeiras no centro e sul do país, afetadas pelos maremotos decorrentes do sismo inicial. "Houve um titubeio da nossa parte", disse o comandante da Marinha, almirante Edmundo González, ao canal TVN.

O jornal "El Mercurio" obteve um documento mostrando que a Marinha acreditava que o epicentro do terremoto havia ocorrido em terra, e que portanto não havia risco de tsunami. Ao ser constatado o maremoto, a Marinha declarou um alerta que, no entanto, suspendeu apressadamente, quando ondas gigantes ainda se dirigiam para a costa.

Centenas de pessoas morreram sob ondas de até 15 metros. "A população morreu por falta de informação", disse Valder Vera, morador de Dichato, aldeia de pescadores arrasada pelo mar.

Bachelet, que finaliza seu mandato na próxima semana, disse que não é hora de caça às bruxas, mas sim de que os chilenos se unam para levar o país adiante. “Aqui o que corresponde é colocar-nos para pensar primeiro na emergência e depois, na hora da reconstrução do país, nas medidas que devemos tomar para que não volte a ocorrer isso”, concluiu.
 

Embora as autoridades digam que o pior já passou, na quarta-feira ainda havia centenas de pessoas que se recusavam a descer dos morros onde se refugiaram, temendo novos tsunamis.

Uma forte réplica de magnitude 6,2 sacudiu na quarta-feira a cidade de Concepción, segunda maior do Chile, causando cenas de pânico, embora as autoridades tenham descartado um alerta de tsunami. Tentando acalmar a população, o governo afirmou na quarta-feira que não há risco de desabastecimento de alimentos e combustíveis.

O custo da catástrofe ainda é incerto, embora alguns especialistas calculem os prejuízos em pelo menos US$ 30 bilhões.

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