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03/03/2010 - 07h00

Terremoto no Chile causa atrito entre políticos e militares chilenos

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Santiago (Chile)
  • Reuters

    Foto mostra a atual presidente do Chile, Michelle Bachelet, e Sebastián Piñera, presidente eleito que toma possa na próxima semana

A Marinha chilena é apontada como a responsável por não alertar sobre o perigo do tsumani que varreu a costa chilena após os tremores que abalaram o Chile na madrugada do último sábado (27). A Aeronáutica se queixou que recebeu muito tarde a ordem de mobilização para o socorro dos atingidos. O presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, quer mais soldados do Exército nas ruas e em mais lugares. E a presidente em fim de mandato, Michelle Bachelet, recebe apoio do colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para não ver a popularidade despencar.

O terremoto também mexeu muito com a política chilena, a nove dias da posse do novo governo, o primeiro de direita desde a saída do poder do ditador Augusto Pinochet, em 1990.

Sebastián Piñera acabou com 20 anos de governo da coalizão entre socialistas e democratas-cristãos e vem falando que foi ideia dele o toque de recolher nas áreas afetadas para evitar os saques e a violência. Ele ainda afirma que vai estender a medida para regiões como Santiago, que registra distúrbios em várias áreas da periferia norte.

Já o governo socialista de saída de Michelle Bachelet afirma que já tinha tomado a decisão antes da reunião entre a atual e o futuro mandatário, no domingo (28).

Há quem analise que Bachelet, cujo pai morreu na prisão durante a ditadura, relutou em repassar muito poder ao Exército nas regiões de calamidade pela própria figura que a corporacão tem diante de parte da opinião pública – ainda que a Constituição local praticamente entregue o poder aos militares nessas situações.

Apesar de serem considerados as forças militares mais bem equipadas e treinadas da América do Sul, os soldados chilenos acabaram chegando tarde ao cenário de destruição no centro-sul do Chile. De qualquer forma, já são mais de 10 mil deles nas ruas, e um rapaz foi morto por infringir o toque de recolher durante a noite.

Já a Aeronáutica queixa-se do contrário. “Tínhamos aviões prontos para socorrer desde o primeiro momento, mas a ordem não vinha”, declamou Ricardo Ortega, comandante da Força Aérea do Chile.

Com alto grau de popularidade, Michelle enfrenta em seus últimos dias no poder um desafio que pode marcar sua carreira. Por isso, a presença de Lula e da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, no país dão um certo respaldo para a presidente em fim de mandato.

As marcas da última e recente eleição estão tão presentes nas ruas como os destroços do terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o centro-sul do Chile. Ns ruas e estradas, a propaganda de Piñera é tão comum quanto as rachaduras nas paredes e desabamentos de pontes devido ao sismo.

 

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