UOL Notícias Notícias
 

03/03/2010 - 17h07

UOL encontra lojas saqueadas e pessoas armadas em bairro de Santiago atingido por terremoto

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Santiago

Dois viadutos caídos e o congestionamento para chegar a Quilicura, ao norte de Santiago, mostram que o bairro foi um dos locais mais atingidos da capital chilena pelo terremoto do último sábado. 

Situação complicada em Santiago e região

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Pessoas passam por restos de fogueiras que à noite iluminam a comunidade de Quilicura, ainda sem luz e sem segurança

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Mulheres tomam banho em hidrante quebrado, que também causa alagamento no local

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Entulho se acumula nas ruas de Quilicura, na região metropolitana da capital, e causa atritos entre vizinhos

A reportagem do UOL Notícias encontrou um cenário de desordem social nessa região industrial. Moradores ostentavam revólveres em seus jardins para afastar criminosos. Após vários saques, os supermercados locais ou estavam fechados ou limitavam a entrada a grupos de 10 ou 15 pessoas, promovendo filas para as demais pessoas na sua porta. 

Em cada esquina havia sinais de fogueiras apagadas, mostrando que os moradores ficaram de sentinela durante a noite na área afetada por falta de energia elétrica. “Ficamos com paus e armas do lado do fogo para afastar os criminosos”, contou David Rodríguez, em um conjunto habitacional rodeado por poblaciones, como são conhecidas as favelas no Chile.

Diante de sua casa, Leonardo Vico apoiava uma espingarda no ombro, ao lado da mulher, também armada. “Aqui é a minha vida ou a sua. Já avisei meu chefe que não vou trabalhar até que volte a luz e a segurança”, afirmou. A polícia chilena pede para as pessoas não portarem armas, ameaçando detê-las, mas os civis que testemunham tantos crimes nas suas vizinhanças preferem mostrar força.

A TV chilena tem chamado de “tsunami social” a onda de saques pelo país. País latino-americano com melhores índices sociais, o Chile é bem mais desenvolvido que o Haiti, a nação mais pobre do continente e também devastada por terremoto neste ano.

Mesmo assim, o sismo mostrou a profunda divisão social, herdada em grande parte do regime militar de Augusto Pinochet (que governou o país entre 1973 e 1990) e que os governos civis reduziram nos anos seguintes, mas só parcialmente. E são os pobres chilenos os que mais sofrem com a tragédia natural. A periferia de Santiago mostra isso. O presidente eleito, o direitista Sebastián Piñera, que assume o poder daqui a oito dias, prometeu promover um toque de recolher também na capital do país por conta desses fatos.

Em Quilicura, todos os supermercados sofreram saques. Um, chamado Ekono, foi vitimado duas vezes, e uma placa dizendo “bienvenidos” mostra a ironia de seu fechamento nos últimos dias.

Os destroços se acumulam nas ruas. A reportagem do UOL Noticias testemunhou uma briga de vizinhos detonada porque um colocava os tijolos do que foi seu quarto na calçada da casa ao lado. “Falta solidariedade. Onde vou colocar os escombros? Embaixo da minha cama?”, se queixava Manuel Rios para os carabineros (policiais militares) que foram acalmar os ânimos. Soldados estão pelo bairro, policiando e recolhendo o entulho.

Por outro lado, um hidrante quebrado virou local de banho no bairro sem abastecimento. As mulheres coletavam água e se banhavam na vazão. Junto com outros canos atingidos, isso provocou um lago no meio da avenida Santa Luiza.


Na área vizinha de Conchalí, a população fez protesto pedindo a presença do Exército para contar a agitação. “O que temos aqui é um terremoto cínico. Aqui a catástrofe é social. E devemos esquecer os tabus: precisamos de soldados nas ruas”, afirmou para a imprensa local Rubén Malvoa, prefeito de Conchalí. O tema é delicado porque o Chile enfrentou 17 anos de uma violenta ditadura militar entre 1973 e 1990 e, para muitos, o Chile vive uma democracia tutelada pelos militares.

 

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    0,31
    3,232
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h20

    -0,44
    74.157,38
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host