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04/03/2010 - 07h00

Brasil é nome de bairro que desabou por terremoto e antiguidade em Santiago

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Santiago

Imagens do cotidiano no bairro Brasil, em Santiago

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Trecho de telhado de palacete destruído pelo terremoto do último sábado, 27 de fevereiro

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Maria Vera Gutierrez não quer deixar o local onde mora mesmo com parte da construção no chão

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Mauricio Santiago diante de sua casa no bairro Brasil, cujo teto desabou após o terremoto

O Brasil não tem vulcão e encara raros e suaves terremotos. Mas o bairro Brasil, no centro de Santiago, enfrenta nestes dias problemas de fachadas caídas, escombros nas ruas e gente morando na rua por conta do movimento sísmico no Chile do último sábado (27).

Na esquina da avenida Brasil com a rua Santo Domingo, duas famílias de imigrantes peruanos dormem na rua, afinal, a casa na qual moravam desmoronou. O prédio do século 19 que alberga a Universidade Tecnológica de Chile caiu parcialmente, deixando tijolos e telhas no asfalto da calle Almirante Barroso, homenagem ao personagem brasileiro da Guerra do Paraguai.

“Restaurei a casa no ano passado. Gastei um dinheirão, mesmo assim o teto desabou”, relatava Mauricio Santiago que aluga uma casa antiga no bairro. Na frente de sua residência uma fita de “peligro” afasta os transeuntes da calçada. Dentro, pedreiros tiram os escombros de sua sala de estar e cozinha. Ele está morando com a mulher na casa de uma vizinha e despachou o filho para casa de parente.

O bairro Brasil foi uma região residencial da classe alta de meados do século 19 até a década de 40 do século passado, quando começou uma lenta decadência após as famílias tradicionais se mudarem para o leste da capital. Hoje ainda é possível ver o fausto daquela época.

São palácios neogóticos, casarões neoclássicos e muitas casas estilo colonial. Justamente essas últimas construções sofreram mais, afinal, algumas eram feitas em pau-a-pique ou usavam argila em sua argamassa.

Diante de uma casa dessas, Claudia Olivares colocava seus móveis na camionete de seu pai para sair de Santiago. “Vou para Copiapó [norte do país]. Não volto para Santiago tão cedo. Esse terremoto foi muito traumático”, disse Claudia.

Nas ruas, a passagem de carros pelo pó de tijolo dos escombros ergue uma nuvem de poeira permanente, com as pessoas tossindo o tempo todo.

Em uma mansão transformada em cortiço, cinco famílias das 27 que moravam lá ainda resistem, mesmo com o telhado desabado sobre o segundo andar. É o caso de Maria Vera Gutierrez, sua filha e seu neto. “Só saio daqui quando o governo me der outro lugar para morar”, sentencia a moradora do casarão de 120 anos.

No bairro, as casas mais conservadas nas avenidas mais vistosas foram transformadas em bares de happy hour e albergues para turistas. Poucas quadras dali fica o centro de Santiago, com suas alamedas comerciais, a sede do governo e vários prédios empresariais. Por lá, só os postos de arrecadação de donativos lembram a tragédia que o país sofreu.

Outra pista é o isolamento da Catedral Metropolitana para que os pedestres passem pela Plaza de Armas não sejam ameaçados por uma possível queda de parte da fachada com as réplicas, como a que aconteceu na tarde de quarta. Bem perto um grupo de turistas japoneses passeia em seu tour prolongado pelo terremoto.

Mas o turismo deve diminuir pelo Chile nos próximos meses. E isso já pode se sentir no Mercado Central de Santiago, atração por seus restaurantes de mariscos. “Os visitantes caíram muito. Só quando os estrangeiros esquecerem essa tragédia eles vão voltar”, afirmou o garçom Agustín Soto.

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