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05/03/2010 - 13h00

Após reunião com Bachelet, Piñera anuncia reestruturação de sistema de alerta contra tsunamis

Do UOL Notícias*
Em São Paulo
  • Piñera e a equipe do futuro governo (à esq.) se reúnem com a presidente Michelle Bachelet

    Piñera e a equipe do futuro governo (à esq.) se reúnem com a presidente Michelle Bachelet

Atualizada às 14h35

Governo chileno descarta alerta de tsunami após dois novos tremores hoje

Após reunião no Palácio de La Moneda com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, o sucessor dela, Sebastián Piñera, que assume no dia 11, anunciou nesta sexta-feira (5) a reestruturação do sistema de alerta de tsunami, após críticas sobre as imprecisões do atual mecanismo. A Marinha chilena demitiu hoje o diretor do Serviço Hidrográfico e Oceanográfico. A Força já havia reconhecido nesta semana que errou ao não emitir alerta de tsunami, que matou centenas de pessoas, após o terremoto de 8,8 graus no último sábado (27).

Essa foi a primeira demissão depois de o sistema falhar. As Forças Armadas afirmaram hoje, em comunicado, que determinaram uma investigação para apontar responsabilidades na sequência de erros que, segundo a imprensa local, fez com que o alerta de tsunamis fosse ativado tarde demais, quando as ondas gigantes se dirigiam à costa chilena no sábado.

Bachelet garantiu após reunião com Piñera que a transição entre os dois governos deve ser tranquila para assegurar a continuidade da distribuição da ajuda humanitária às vítimas da tragédia. Piñera, que assume no dia 11, solicitou a colaboração de todos os setores políticos para a reconstrução do país, que deve perdurar por todo o seu mandato. "Vamos exigir a assistência e a unidade de todos", disse durante seu discurso.

Os sobreviventes reclamam das dificuldades causadas pela demora na ajuda do governo. Pelo menos 1,5 milhão de casas foram destruídas. Estradas e pontes também foram destroçadas. Há cerca de 1,5 mil pessoas sem energia e 800 sem água.

A Marinha do Chile reconheceu nesta semana que seu serviço oceanográfico não foi claro ao alertar Bachelet sobre a iminência de um tsunami após o tremor de sábado. A onda gigante atingiu vários povoados e portos chilenos, matando centenas de pessoas.  "A presidente telefonou para ver se seria mantido o alerta. Nós fomos pouco claros na informação que entregamos a ela", disse o chefe da Marinha, almirante Edmundo González, disse à emissora de TV estatal.

O presidente eleito Sebastián Piñera criticou o governo Bachelet por causa disso. Piñera disse que havia "um grave perigo de tsunami" após o terremoto. "O que um governo deve fazer é antecipar-se aos problemas.

Nesta sexta-feira (5) a Marinha do país demitiu o diretor do Serviço Hidrográfico e Oceanográfico, responsável por não fornecer informação clara e precisa sobre o tsunami.

"O comandante-chefe da Marinha ordenou que ele deixasse seu posto como diretor do Hidrográfico e Oceanográfico", afirmou um comunicado oficial divulgado pelo órgão.

O texto também afirma que a Marinha resolver organizar  "a realização de uma investigação técnica para determinar as responsabilidades e esclarecer as circunstâncias do processo de tomada de decisão".

O reitor da Universidade do Chile, Víctor Pérez, também criticou a falta de preparação do governo chileno para tragédias como a do último dia 27.

Pérez afirmou que as autoridades não deram atenção aos diversos estudos e relatórios que a Faculdade de Ciências Físicas e Matemáticas vem fazendo há anos sobre o assunto.

"Muitos anos atrás a Universidade do Chile vem propondo medidas e leis que este país deveria adotar para que tais situações pudessem ser tratadas de forma muito melhor", disse.

Ele explicou que "um plano de formação de especialistas e técnicos qualificados para estas questões foi apresentado às autoridades" para minimizar as consequências de terremotos e afins.

Ontem (4), Bachelet decretou três dias de luto – a partir da zero hora de domingo (7) até o dia 10 – pelas mortes registradas no país. Até ontem o número oficial era de 802 mortos.

Bachelet pediu aos chilenos que coloquem a bandeira nacional na porta das casas em solidariedade às vítimas do desastre que abalou o Chile. As áreas mais atingidas no país são nas regiões do Centro e Sul do Chile.

*Com informações das agências internacionais

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