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05/03/2010 - 08h58

Chilenos ainda enfrentam racionamento de água, comida e combustível

Vladimir Platonow
Enviado especial da Agência Brasil
Em Concepción

Os dias que se seguem ao terremoto que arrasou povoados e deixou mais de 800 mortos no Chile são de provação e dificuldades para a população. Mesmo para quem teve sorte e não sofreu perdas pessoais ou materiais, a situação exige paciência, principalmente em cidades próximas ao epicentro do sismo, como Concepción, a mais afetada.

Engarrafamentos de quilômetros praticamente paralisam as principais avenidas da cidade, por causa das filas de carros em frente aos postos de combustíveis. Na calçada, uma fila de pessoas dobra a esquina, cada uma segurando um galão para encher de gasolina. A cota máxima é de 10 litros por pessoa, o que força famílias inteiras a irem juntas ao posto para garantir mais combustível. O que mais se vê são motoristas empurrando os carros, por falta de combustível ou para economizar o pouco que resta.

Em frente, do outro lado da rua, outra fila, também enorme, se forma. É para comprar comida nos supermercados que reabriram, apesar de ainda estarem bastante danificados. Um militar organiza a entrada de cinco pessoas de cada vez. Segundo ele, a quantidade máxima que se pode comprar é o “quanto puder carregar com as mãos“, pois é proibido usar carrinhos de compra.

As restrições dividem a população. “É necessário haver organização, inclusive o toque de recolher, pois do contrário os saques iriam continuar”, disse a dona de casa Edith Joachim, que aguardava na fila, com o irmão, para comprar os mantimentos da família, de quatro pessoas. “É pouco. Eu tenho que vir de longe e não posso comprar tudo o que minha família precisa”, reclamava o ambulante Cezar Jimenez.

No mesmo bairro de Concepción, uma cena chamava a atenção de quem passava. Uma família recolhia água que saía de um hidrante. Com galões e garrafas PET, enchiam os recipientes, pois desde o último sábado (6) diziam que as torneiras estavam secas em casa.

Em meio ao caos da avenida principal da cidade, um jovem ajudava, aos gritos, a diminuir os engarrafamentos, causados pela falta de semáforos, apagados pela ausência de energia. Juan Pablo Cavin, estudante de engenharia ambiental, se apresentou como um das centenas de voluntários que se prontificaram em auxiliar no que fosse possível, como recolher donativos ou organizar o trânsito. “Quero ajudar as pessoas. Acho que todos deveriam cooperar também”, disse ele, despedindo-se rapidamente para continuar seu trabalho.

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