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17/03/2010 - 16h03

Número de mortos identificados após terremoto no Chile já passa de 500

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 16h49

O diretor-geral da Polícia de Investigação do Chile (PDI), Marcos Vásquez, elevou hoje para mais de 500 o número de corpos identificados após o terremoto e o posterior ocorridos no país no dia 27 de fevereiro.

Saiba mais sobre o Chile

  • População: 16 milhões

    Religião: Católicos (70%), evangélicos (15%), outros (6,7%), ateus (8,3%)

    Expectativa de vida: 77 anos

    PIB per capita: US$ 14.700

"Há pouco mais de 500 pessoas identificadas, das quais mais da metade já está com sua respectiva certidão de óbito", informou Vásquez após uma reunião com o ministro do Interior chileno, Rodrigo Hinzpeter.

O número difere das 497 vítimas fatais reconhecidas no último relatório oficial, entregue em 8 de março pelo então subsecretário do Interior, Patrício Rosende, antes de Sebastián Piñera assumir a Presidência chilena no dia 11.

Segundo Vásquez, a PDI está reunindo informações de outros organismos, como do Corpo de Bombeiros e o Serviço Médico Legal (SML), que devem aparecer na próxima relação oficial de mortos e desaparecidos, prevista para a próxima semana.

O terremoto de 8,8 graus na escala Richter no dia 27 de fevereiro e o posterior tsunami deixaram, além disso, dois milhões de desabrigados.

Nesta quarta-feira, familiares de vítimas abriram a primeira ação judicial contra o Estado, cujos organismos não teriam alertado a população a tempo sobre as grandes ondas provocadas pelo forte terremoto.

A abertura da ação acontece um dia depois de a Promotoria Nacional ter iniciado uma investigação sobre a atuação questionada do departamento de emergências e da Marinha, com relação aos tsunamis sucessivos que fustigaram o país.

A ação judicial, que foi apresentada em Santiago, diz respeito à morte das irmãs Nancy e Eliana Lema Morales, ocorrida no povoado de Dichato quando elas foram arrastadas pelas ondas gigantes que varreram a costa central e sul do Chile.

A ação é movida contra os responsáveis pelo "quase delito de homicídio" e será apresentada por Hugo Fuentealba, viúvo de Eliana Lema, e seu filho Rodrigo, que se salvaram nadando nas ondas que assolaram Dichato.

Na ação, Fuentealba relata que ouviu "em uma rádio de Córdoba, Argentina, o locutor dizer que estavam em contato com uma televisão chilena. A presidente (Michelle) Bachelet falou e pediu que a população ficasse calma, afirmando que não havia tsunami em nenhum ponto da costa do Chile. Isso foi às 5h40."

"Eu falei a minha esposa para descermos, porque não havia tsunami. Deixamos o carro a 70 metros da casa. Entrei e a casa estava inteira. Ouvi a buzina do carro e vi o mar arrastando tudo. A água me submergiu, e consegui me agarrar a uma árvore. A água desceu e vi que minha esposa estava dentro do carro, morta. Minha cunhada apareceu a 200 metros de lá, morta", disse Fuentealba.

Durante os minutos e horas que se seguiram ao terremoto de 8,8 graus, o Escritório Nacional de Emergências (Onemi) e o escritório da Marinha encarregado de alertar sobre maremotos não conseguiram chegar a um acordo para a emissão de um alerta de tsunami.

* Com agências internacionais

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