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Além do maciço investimento em metrô, trens e ônibus, os especialistas consultados pelo UOL apontam que, para melhorar a fluidez do trânsito na capital, é preciso mais investimentos na CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), órgão que gerencia e aplica as políticas de trânsito na capital. Com uma receita de R$ 470 milhões projetada para 2008 - proveniente da municipalidade, a companhia conta hoje com 2.100 agentes de trânsito e uma frota de 726 veículos - contingente considerado pequeno pelos entrevistados, dado o tamanho da cidade de São Paulo.

Mas somente aumentar o efetivo não basta. É necessário também modernizar equipamentos operacionais e sistemas de gerenciamento de incidentes, segundo o professor da Poli-USP e doutor em engenharia de transportes Hugo Pietrantonio. "Só com investimentos que tornem esta equipe capaz de agir de forma rápida e eficaz, organizando um sistema ágil de detecção e remoção de incidentes e operando sistemas de controle de tráfego eficientes é possível pensar em um cenário melhor para o futuro", avaliou.

Em 2007, foram removidos das vias de São Paulo, em média, 12.929 veículos por mês (quebrados, acidentados, com carga na pista), segundo a companhia. Destes, 72% eram automóveis, 18% caminhões e 9% ônibus.

O engenheiro civil especialista em transportes e professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo) Jaime Waisman lembrou ainda que o número reduzido de agentes da CET - os chamados "marronzinhos" - leva à perda de recursos na pasta de transportes. O especialista estima que um terço da frota em circulação atualmente em São Paulo apresenta irregularidades, como multas e impostos pendentes, desrespeito ao rodízio municipal e não cumprimento das vistorias regulares. "Uma fiscalização mais eficiente poderia gerar uma receita de cerca de R$ 1 bilhão no primeiro ano. Este montante poderia ser aplicado, por exemplo, em transporte público", apontou ele.

Há quem defenda ainda o redirecionamento das funções dos agentes de trânsito. "Hoje temos os agentes mais voltados às questões de fiscalização e autuação. Poderíamos destinar sua função preferencialmente para orientação e operação de tráfego. Antes de fiscalizar, é preciso orientar e operar esse sistema para que possamos ter um pouco mais de fluidez", explicou o ex-secretário estadual de Transportes de São Paulo, Dario Rais Lopes.

Opinião semelhante tem ainda o engenheiro civil Horácio Figueira, consultor de trânsito da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), que é "absolutamente contra" deslocar os poucos agentes da CET para fiscalizar, por exemplo, se os donos de veículos estão cumprindo - ou não - o rodízio. "Você está tirando uma mão-de-obra nobre para fiscalizar se o seu carro é branco ou azul. Que infração de trânsito ele cometeu? Vai causar algum acidente essa infração? Nenhum", questiona.

No quesito operacional, Pietrantonio observou ainda a necessidade de um controle dos semáforos da capital em tempo real para ajudar o trânsito a fluir. "O impacto de medidas operacionais deste tipo é importante. Em geral, há melhorias de 10 a 20% nos tempos de deslocamento. Mas esses sistemas deixam de lado a porção mais crítica do sistema viário da cidade: as vias expressas, em especial as marginais", avaliou.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, anunciaram que, até o final deste ano, todos os semáforos da cidade serão eletroeletrônicos, em substituição ao modelo mecânico utilizado atualmente. "Estamos investindo pesado para modernizar a rede de semáforos. A sincronização entre eles poderá ser feita em tempo real, adaptada ao trânsito do momento, em determinado local", disse o prefeito.

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