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Qualquer solução a ser adotada para desafogar o trânsito na cidade de São Paulo passa, obrigatoriamente, pelo transporte público, segundo especialistas consultados pelo UOL. Não existe metrópole no mundo que tenha conseguido amenizar os problemas no trânsito sem investir nesses meios de transporte.

O engenheiro civil Horácio Figueira, consultor de trânsito da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) lembra que um ônibus, por exemplo, transporta 10 vezes mais pessoas do que um carro. "É uma questão de democracia do uso do espaço viário, que é limitado", afirmou.

Em São Paulo, as gestões públicas incentivaram durante anos a supremacia do carro sobre trens, metrôs e ônibus. Houve muito investimento na construção de pontes e avenidas, e muito pouco em transporte público. "Acharam que o automóvel ia ser a solução para a cidade de São Paulo. Quando todo mundo tivesse seu carro, a cidade ia ser uma maravilha", ironizou Figueira. Para ver o resultado, basta tentar trafegar pela marginal do Rio Pinheiros às 18h de uma sexta-feira.

No curto prazo, Figueira defende o investimento maciço nos corredores de ônibus. "O ônibus é a única solução a curtíssimo prazo. O metrô é muito demorado para implantar e muito caro", apontou. Mas para que isso aconteça, vai ser preciso muito pulso firme dos governantes para "apertar o automóvel", na avaliação do especialista. Figueira defende ainda que táxis, por serem um transporte individual, não devem circular pelos corredores.

No compartaivo feito pelo professor da Poli-USP e doutor em engenharia de transportes Hugo Pietrantonio, o corredor de ônibus também sai ganhando. "O metrô e os corredores de ônibus operam de forma segregada, e isso dá bom desempenho operacional. Mas o metrô custa caro porque tem de construir uma nova via. Já os corredores de ônibus usam vias existentes e tomam seu uso dos automóveis", explicou.

Priorizar os ônibus não significa, porém, abandonar o metrô. São Paulo tem hoje 61,3 quilômetros de metrô, enquanto cidades do mesmo porte, como Nova York, ou até menores, como Paris, têm 1.056 e 213 quilômetros, respectivamente. "São Paulo precisa de, pelo menos, mais 60 quilômetros de metrô, além de ampliar e modernizar os trens metropolitanos, para transformá-los em metrô de superfície", acredita o professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo) Jaime Waisman. Ele também é partidário do aumento do número de corredores de ônibus, "inclusive com travessias em desnível nos grandes cruzamentos para os coletivos".

O ex-secretário estadual de Transportes de São Paulo Dario Rais Lopes vai além e afirma que não basta entregar o metrô: tem que estimular o seu uso. "Temos algumas experiências - muito singelas - como o metrô Santa Cruz e o Tatuapé, onde existem os edifícios garagens e os shoppings. Temos que estimular mais isso, para que as pessoas se dirijam até as estações com seus carros ou de ônibus, e ali encontrem um centro de consumo. Então, não é só entregar o metrô, tem que estimular o uso também, tornar atrativo. Porque nós temos uma cultura de transporte individual", argumentou.

A mesma lógica da atratividade vale para os ônibus. "Tem que fazer marketing. Implanta melhoria no corredor e a Prefeitura tem que vir a público garantir os tempos de percurso nos corredores", disse. O especialista defende ainda a revisão dos tempos de parada nos sinais para os ônibus. Figueira cita os "semáforos atuados por computador", um sistema que prioriza a passagem do ônibus nos cruzamentos e aumenta em até 30% a velocidade desse transporte. "Hoje, a onda de semáforo é calculada com base na velocidade do automóvel. E o ônibus ele tem um ciclo diferente, porque ele pára no ponto", avaliou.

Mais do que metrôs e ônibus, Lopes citou ainda o estímulo às caronas solidárias para diminuir a quantidade de carros nas ruas de São Paulo. Basta uma rápida olhada pelas ruas da capital para notar que os automóveis levam, em sua maioria, uma pessoa - quando muito, duas. Segundo o ex-secretário estadual de Transportes, a criação de faixas exclusivas para veículos que circulam com mais de uma pessoa seria ainda uma boa alternativa para estimular vizinhos, amigos e parentes a darem uma carona para uns para os outros.

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