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O problema do trânsito em São Paulo é causado, em grande medida, pelas deficiências no transporte público e, claro, pelo grande número de veículos em circulação na cidade. Os especialistas ouvidos pelo UOL apontaram ainda um terceiro fator - pouco falado, pouco discutido - mas que interfere de forma drástica nos deslocamentos dentro da capital: a própria composição da cidade.

Segundo o ex-secretário estadual de transportes de São Paulo Dario Rais Lopes, o centro expandido da capital perdeu, nos últimos 11 anos, cerca de 400 mil moradores. "Se trouxermos essas pessoas de volta para o centro, evitaríamos algo na ordem de 700 a 1 milhão de viagens diárias, que compõem o cenário atual de mobilidade na capital", explicou.

Para resolver essa questão, é preciso muito esforço do poder público no médio e longo prazo. "É preciso uma mudança no uso do solo, ter empregos em várias áreas da cidade, voltar a ocupar o centro da cidade, que está esvaziando. As pessoas estão indo morar na periferia e aí fica cada vez mais caro o transporte, além de mais demorado", avaliou o engenheiro civil Horácio Figueira, consultor de trânsito da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego).

Na avaliação de Hugo Pietrantonio, professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo) e doutor em engenharia de transportes, esse é o ponto fundamentel de toda a problemática dos congestionamentos na capital. "As deficiências mais graves que refletem no trânsito estão na estrutura urbana desequilibrada que gera deslocamentos excessivamente longos", disse.

Para Pietrantonio, há uma "subordinação" do poder público a interesses imobiliários que acentuam esse padrão de ocupação. "Não existe política afirmativa, neste campo, e o poder público prefere não achacar empreendedores imobiliários, captando recursos valiosos para projetos duvidosos - face sua carência de recursos para investimento", completou.

Jaime Waisman, engenheiro civil especialista em transportes e também professor da Poli-USP, concorda com o colega. "Este talvez seja o maior problema. Um exemplo são aqueles prédios a quatro quadras do Parque Ibirapuera, que antes tinham 10 andares e agora têm 35. Esse pessoal da área imobiliária quer construir, ganhar dinheiro, mas ninguém olha se tem ruas suficientes, se a estrutura do entorno comporta esse empreendimento. E quem tem que olhar isso é a prefeitura", opinou.

Waisman lembrou, no entanto, que esse não é um problema exclusivo da atual gestão. A questão remonta a Planos Diretores mal-feitos - ou que nunca existiram - e à legislação desatualizada. "A cidade está desgovernada, mas isto não é um problema desta gestão. São Paulo sempre foi uma cidade sem planejamento, nunca teve um Plano Diretor. É uma característica da cidade ser mal-organizada no uso do solo, só que agora chegou no limite", desabafou o especialista.

"A legislação de uso e ocupação do solo está superada, precisa mudar o atual zoneamento, os coeficientes de ocupação. Há uma tendência a aumentar a área ocupada, e quanto mais você constrói, maior fica o trânsito", completou.

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