UOL Notícias Especial Trânsito
 
O argumento daqueles que defendem a cobrança de um pedágio urbano para circular em certos locais do centro da capital paulista - modelo adotado em algumas grandes capitais do mundo, como Londres e Estocolmo - é o de que a medida traria recursos que poderiam ser aplicados em outras ações de combate ao trânsito em São Paulo, além de desafogar o 'gargalo' encontrado nessas áreas. A eficácia desse modelo, no entanto, divide opiniões dos especialistas consultados pelo UOL.

Hugo Pietrantonio, professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo) e doutor em engenharia de transportes, concorda que a medida pode gerar recursos importantes para a cidade. Mas faz ressalvas. "Será difícil chegar a um valor socialmente praticável e, ao mesmo tempo, capaz de reduzir os congestionamentos paulistanos de forma drástica. Sem contar na preocupação de como e onde esse dinheiro será empregado", afirmou.

Já o ex-secretário estadual de Transportes de São Paulo Dario Rais Lopes defende a medida. Para ele, no estágio em que se encontra a cidade hoje, todas as soluções possíveis devem ser consideradas. "Nós precisamos fazer mais metrô e melhorar nosso sistema de trens de subúrbio operados pela CPTM [Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos], e isso requer recursos. O pedágio poderia ser instalado para funcionar em um determinado período de tempo, por exemplo, para arrecadar parte desses recursos", justificou.

Além de não ser partidário da idéia, o engenheiro civil especialista em transportes e professor da Poli-USP Jaime Waisman critica a forma como são geridos os problemas no Brasil. "É uma solução tipicamente 'brasileira': penaliza o cidadão e não resolve o problema. Temos que parar de 'copiar' soluções de outras cidades que têm realidades bem diferentes das nossas e onde a medida é aplicada com sucesso", analisou. "Na minha opinião, [o pedágio urbano] é a última coisa a ser feita. É completamente inviável com o transporte público insatisfatório que temos atualmente", continuou.

O engenheiro civil Horácio Figueira, consultor de trânsito da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) vai além e aponta o lado social da cobrança de um pedágio em áreas urbanas. "É uma segregação social. Se eu ganhasse R$ 1 milhão, ia querer um pedágio de R$ 50 a cada esquina, porque aí a cidade ficava só para mim", argumentou.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host