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Criado em 1997, na gestão de Celso Pitta, o rodízio municipal foi, durante alguns poucos anos, uma solução rápida e efetiva encontrada para atenuar os congestionamentos em São Paulo. Hoje, porém, o modelo encontra-se esgotado, na avaliação de Dario Rais Lopes, ex-secretário estadual de Transportes de São Paulo. "Insistir na idéia é insistir em um instrumento que já está bastante desgastado, que demanda um brutal exercício de fiscalização para sua eficiência. Faltou ao poder público a consciência de que era uma solução com prazo de validade", opinou.

Para os especialistas ouvidos pelo UOL, ampliar o número de dias ou o horário em que determinados carros não podem circular - uma das soluções debatidas nos últimos tempos - não resolveria o problema. "Além de interferir muito no cotidiano das pessoas, a atitude pode estimular ainda mais a aquisição do segundo ou do terceiro carro, dado que o preço dos usados vem caindo muito", disse o engenheiro especialista em transportes e professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo) Jaime Waisman.

Como já vem acontecendo desde que o modelo foi implantado, o rodízio leva a população a comprar carros com placas diferentes, para não ficar nenhum dia sem seu veículo particular. "É difícil imaginar um esquema prático que não possa ser burlado com um segundo carro, um recurso já incorporado ao patrimônio de muitas famílias paulistanas", apontou o também professor da Poli-USP e doutor em engenharia de transportes Hugo Pietrantonio.

Mais carros nas ruas significa, obviamente, mais trânsito. Por isso, para o engenheiro civil Horácio Figueira, consultor de trânsito da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), a ampliação seria um "suicídio". "Se eu estou comprando um carro para usar no dia do rodízio, o modelo não está cumprindo sua função. Eu estou enganando o rodízio. Com isso, a cidade entra em colapso mais rapidinho", alertou.

"Eu acabaria com o rodízio, até para a sociedade enxergar o tamanho da verdade. Hoje, com o rodízio, a frota liberada de multa é 20% maior do que há 10 anos sem rodízio. Por isso que a situação está do jeito que está: porque a frota não parou de crescer. O rodízio foi bom até o terceiro, quarto ano só", opinou.

Vereadores
A ampliação do rodízio divide opiniões de vereadores que integram a Comissão de Trânsito da Câmara Municipal e que foram ouvidos pelo UOL. Chico Macena (PT), que presidiu a CET entre os anos de 2000 e 2003 (na gestão de Marta Suplicy), afirma que estudos apontam que a extensão do rodízio em uma hora, tanto pela manhã quanto à noite, teria ganho quase nulo no combate aos congestionamentos. "Ao ampliar a proibição até as 11h, a demanda de carros que já se organizou para circular após as 10h passaria a circular após as 11h, coincidindo com o horário de saída escolar. Isso só mudaria o horário de pico", explicou.

Para Macena, investimentos em equipes de monitoramento que teriam como objetivo atender ocorrências nas principais vias da cidade (retirada de carros quebrados das ruas com mais agilidade, por exemplo) deveriam ser priorizados pela prefeitura. "São Paulo tem uma média de 800 carros quebrados por dia. Se estes carros permanecem por 10 minutos atrapalhando as vias, geram um congestionamento de 3,5 quilômetros, de acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). É preciso agir contra esse diagnóstico, e não pensar em soluções que já perderam a eficácia", explicou, referindo-se ao rodízio.

Por sua vez, o vereador Ricardo Teixeira (PSDB), que é funcionário da CET, faz uma proposta mais 'radical' em relação ao rodízio municipal. "Além da ampliação de horas, defendo a ampliação da proibição para quatro finais de placas (e não apenas duas) por dia. Com isso, é possível tirar 40% dos carros de circulação", estimou.

Teixeira confia ainda na 'inteligência da população' para lidar com os congestionamentos. "Após os últimos recordes, o cidadão mesmo já começa a se reorganizar, mudar seus hábitos, para evitar a perda de tempo no trânsito. A extensão do rodízio viria para dar mais uma folga", disse.

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