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O forte crescimento do número de veículos vendidos no Brasil nos últimos anos não tem sido acompanhado na mesma proporção pelo aumento do emprego direto nas montadoras de automóveis.

No ano passado, o setor bateu recorde ao vender 2,462 milhões de carros no país, incluindo importados. Trata-se de um aumento de 72% em relação ao 1,428 milhão registrado em 2003.



No mesmo intervalo, o número de funcionários nas montadoras instaladas no país cresceu bem menos: 32%, de 79 mil para 104 mil.

Se comparado o resultado do ano passado com o recorde anterior, de 1997 (que foi de 1,943 milhão de unidades), houve um aumento de 27% nas vendas. O emprego nas montadoras, no entanto, manteve-se na faixa de 104 mil funcionários.

Tendência
"É de se esperar que, com o tempo, a indústria produza com relativamente menos mão-de-obra. Mas, no caso da automobilística, é preciso considerar também outras tendências", diz a professora Maria Cristina Cacciamali, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

As marcas de veículos tendem a preferir comprar peças de outras firmas e apenas fazer a montagem, em vez de produzir todos os insumos utilizados. Isso faz aumentar a geração de empregos em etapas anteriores à montagem, ou seja, fora das fábricas de carros.

"Esse processo vem se acelerando desde 2000", com a recuperação do setor automobilístico no Brasil, afirma Cacciamali.

Segundo ela, o segmento ganhou força primeiro com a desvalorização do real e, em um segundo momento, com a expansão do crédito.

"A expectativa é de que isso cresça", segundo a professora. Ela vê, no entanto, um limite: tem sido utilizado crédito de longo prazo, até seis anos, o que significa um risco maior de inadimplência, uma vez que ao longo desse tempo o veículo se desvaloriza, desestimulando o consumidor a continuar pagando as prestações.

O financiamento de longo prazo também pode inibir a compra de veículos novos. É mais difícil vender um automóvel usado quando ainda se estão pagando parcelas.

"O crédito de seis anos segura o carro na mão do cliente por muito tempo", afirma Cacciamali.

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