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O plano piloto de Brasília tem largas avenidas planas, mas poucas ciclovias e calçadas. Quando alguém pede informação sobre como chegar a determinado local, as instruções sempre são dadas levando-se em conta que o interlocutor tem carro. Caso ele diga que vai utilizar o transporte público, a maioria não sabe qual o trajeto a ser seguido.

A "cultura do carro" é tão forte no Distrito Federal que o Detran descarta a adoção de um sistema de rodízio por achar que seu efeito seria nulo, já que a mesma família poderia adquirir dois ou mais veículos.

"A geografia de Brasília, com vias largas, planas, é um modelo perverso que leva ao crescimento vegetativo do número de veículos", avalia Délio Cardoso, ex-diretor do Detran. "O transporte público, por sua vez, tinha tudo para ser eficiente, já que Brasília não tem morros. Mas acabou sendo caríssimo, lento, sujo, induzindo as pessoas a comprarem o transporte individual, até por uma questão de economia", acrescenta.

Cardoso prevê que a frota do DF dobrará em 4 ou 5 anos, se o transporte coletivo não melhorar. Em um cenário favorável, acredita, até a questão cultural será modificada. "Quando o cidadão vir que o transporte público é mais rápido e que ele não tem que se preocupar com estacionamento, a questão cultural ficará em segundo plano. Mas é preciso oferecer essa comodidade."

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Para o professor do mestrado em transportes da UnB (Universidade de Brasília) Paulo César Marques, será preciso mais do que um transporte coletivo eficiente para desestimular o uso do carro. "Em Brasília, as pessoas têm uma dependência do carro. Até pequenas distâncias são percorridas de carro, porque as pessoas não querem andar no barro ou no asfalto, na rua. Para mudar isso, é preciso que se ofereça segurança para quem andar de bicicleta e calçadas e iluminação para os pedestres", afirma.

Ele defende ainda medidas restritivas ao uso de veículos. "A cobrança de estacionamento público hoje enfrenta uma reticência muito grande, mas é preciso cobrar pelo uso do automóvel. Por isso, o pedágio urbano também pode ser adotado, para reduzir a poluição e estimular as viagens a pé e de bicicleta", afirma. "Outra medida restritiva são os corredores de ônibus, porque o passageiro do ônibus não pode ser penalizado pelo trânsito causado pelos carros."

Combustíveis

Nazareno Affonso, da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) endossa a opinião do professor da UnB. "Automóvel não pode ter direito de circular a hora que quiser, onde quiser, do jeito que quiser", defende, para lançar uma alternativa. "Há cidades que taxam o motorista pelo uso do veículo; se você sai de casa no horário de pico paga mais caro, à noite e fim de semana, paga menos."

Ele ressalta que, no futuro, os veículos não poderão circular com o mesmo combustível que é utilizado atualmente. Principalmente com o crescimento da frota nacional. "Não há solução para a questão dos veículos no Brasil. A indústria automobilística festeja 50 milhões de veículos e promete mais 50 milhões em 15 anos. A alternativa seria o uso de carros de aluguel com energia limpa em determinadas áreas; o restante seria transporte público".

"O transporte público tem que ser carro-chefe de uma nova matriz energética neste país", continua. "Tudo o que sai do biocombustível deve ir para o transporte público. Até porque, a indústria automobilística emprega 130 mil trabalhadores, enquanto o transporte público emprega, pelo menos, 1 milhão de trabalhadores", compara.

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