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O número de veículos no Distrito Federal chegou a 1 milhão em maio, segundo dados do Detran-DF (Departamento de Trânsito do Distrito Federal). Com um veículo para cada 2,3 habitantes, o trânsito na capital federal já dá sinais de que está acima do desejável (São Paulo, com a pior proporção do país, tem um veículo por 1,78 habitante).

Congestionamentos já são comuns nos horários de pico, principalmente no trajeto entre o plano piloto e as cidades vizinhas, e também na Esplanada dos Ministérios. Aliados ao "boom" de veículos, além dos congestionamentos, o número de acidentes, de mortes e de falta de vagas para estacionar preocupam.

O crescimento acelerado da frota (há cinco anos, ela era a metade do que é hoje) levou o Detran a preparar para as próximas semanas um seminário para discutir desafios e soluções para o trânsito em Brasília.

A dificuldade em encontrar uma vaga para estacionar tornou-se rotina. Em Brasília, a maioria dos espaços públicos é usada como estacionamento gratuito - apesar do grande número de "flanelinhas". A Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal) estima que há cinco veículos para cada vaga nas áreas mais movimentadas de Brasília, por onde circulam, além dos automóveis registrados no DF, mais 200 mil, vindos de outros Estados.

Redução da frota de ônibus: solução?

Vídeo da TV Brasil
Ex-diretor do Detran Délio Cardoso se diz otimista em relação ao futuro do trânsito na capital. "Se nada tivesse sido feito, eu temeria pelo futuro. Mas nós vamos deter esse crescimento vegetativo no número de veículos." Ele deixou o cargo no final de abril, para coordenar a criação de novos projetos voltados para a melhoria no trânsito na assessoria de transportes do governo do Distrito Federal.

Uma de suas apostas é na melhoria do transporte público, prevista no projeto Brasília Integrada. O programa prevê investimentos de US$ 246 milhões em implantação de corredores exclusivos de ônibus, construção de terminais de integração e um sistema de cartão que o passageiro poderá usar para pegar mais de um ônibus ou metrô durante um determinado período de tempo (semelhante ao bilhete único adotado em São Paulo).

Até o plano entrar em funcionamento, contudo, ainda será necessário preparar toda a infra-estrutura necessária para a integração, o que também inclui a construção de passarelas e viadutos. Mesmo assim, o prazo -otimista- para a conclusão do projeto é março de 2010. E, ao contrário do que se poderia imaginar, não há previsão de aumento da frota de transporte coletivo.

"Nós vamos reduzir o número de ônibus e vans, porque a idéia é otimizar a utilização do sistema. O usuário vai poder pegar qualquer ônibus onde estiver, porque terá a possibilidade de embarcar em outro ônibus sem pagar mais uma passagem. Com isso, o tempo de espera vai diminuir muito", acredita o secretário de transportes Alberto Fraga.

O secretário também lida no dia-a-dia com fiscalização de transporte clandestino e de ônibus regulares em estado de sucateamento, com problemas na parte elétrica, pneus carecas e falta de equipamentos obrigatórios, como extintor de incêndio, por exemplo. A situação leva Fraga a um desabafo: "A esculhambação é tão grande no transporte público de Brasília que eu não dou conta."

Patrimônio Cultural

A realização de obras muitas vezes vistas como solução para o trânsito é mais complicada em Brasília, patrimônio cultural da humanidade. Até mesmo as que estão previstas para o transporte coletivo devem ser discutidas com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. "As obras não podem fugir do traçado original do plano piloto", explica o superintendente regional do Iphan, Alfredo Gastal.

Ele acredita que o problema do trânsito é fruto da falta de planejamento, que concentrou a oferta de empregos em Brasília. "As cidades funcionam como dormitório. E a pressão econômica é brutal; todo mundo quer morar no plano, quando ele foi criado para abrigar o governo federal e não para ser pólo de emprego", analisa, para completar. "Não há cidade tombada que resista ao trânsito que Brasília tem hoje."

Gastal acredita que a idéia de criar estacionamentos subterrâneos é "razoável" para reduzir o problema, principalmente na Esplanada dos Ministérios, e diz que há projetos possíveis de serem realizados e outros completamente inviáveis.

"Desde que não seja um monstrengo, não tem problema nenhum. Depende do cuidado que se dá ao projeto", afirma, citando um exemplo de 'aberração' que já passou por suas mãos. "O que não pode é querer fazer um túnel embaixo da Praça dos Três Poderes, que deixaria a estátua da Justiça saltitando com a passagem dos carros."

Uma grande obra, contudo, já está prevista para começar em outubro deste ano. Prevê a construção de muretas para separar as pistas do Eixo Rodoviário, o "Eixão". Orçada em R$ 5 milhões, a obra deve evitar tanto colisões frontais como a travessia de pedestres comum na via de maior velocidade permitida do plano piloto, com limite de 80 km/h. Sem semáforos ou viadutos, quem está a pé tem como opções, hoje, se arriscar em meio ao intenso trânsito de veículos ou utilizar passagens subterrâneas, que devem ser revitalizadas.



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