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Com transporte deficiente, a região metropolitana de Belo Horizonte convive com perueiros, carros particulares e táxis irregulares pelas ruas, avenidas e estradas locais.

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    Perua arregimenta passageiros em Belo Horizonte

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    Mulher entra em veículo transporte irregular; superlotação é comum

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    Monza usado para transportar passageiros na Grande BH

Tanto a BHTrans, empresa pública responsável pelo transporte em Belo Horizonte, quanto o DER-MG (Departamento de Estradas de Rodagens de Minas Gerais) afirmam não ter dados sobre o transporte ilegal na região metropolitana. O DER-MG, no entanto, estima em 10 mil o número de veículos destinados ao transporte clandestino no Estado.

Nos últimos oito anos, de acordo com o órgão, que fiscaliza o transporte intermunicipal de passageiros em Minas, os acidentes nos quais se envolveram os chamados perueiros mataram 415 pessoas e feriram outras 1.495 nas estradas estaduais.

Um estudo feito pelo DER revela que o número de passageiros transportados de forma legal por ano em todo o Estado de Minas Gerais caiu 21% em 10 anos. Segundo o relatório, eram transportadas 380 milhões de pessoas por ano em Minas em 1998. Esse número caiu para 300 milhões, de acordo com dados do órgão, no ano passado.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o aumento de carros particulares atuando no transporte ilegal dificulta a fiscalização. O DER também avalia que houve um sofisticação dos meios para burlar a nossa fiscalização, com o uso de celulares e rádio-comunicadores e olheiros.

Os bairros San Genaro, Veneza, Florença e Metropolitano, localizados na cidade de Ribeirão das Neves (na região metropolitana ao norte de Belo Horizonte), são servidos regularmente por linhas de perueiros e carros particulares clandestinos que saem do centro de Belo Horizonte. São bairros habitados, na sua maioria, por moradores que trabalham em Belo Horizonte ou Contagem.

A reportagem do UOL Notícias percorreu duas rotas nas quais existem esse tipo de serviço. A primeira foi a que dá acesso aos bairros de Ribeirão das Neves, e a segunda, a BR-040, em direção à cidade de Sete Lagoas.

Razões do problema

O poder público tapa o sol com a peneira e tenta coibir o perueiro colocando a polícia em cima, mas não oferece nada em troca

O trajeto de ida aos bairros do município vizinho consiste na saída de vans ou carros particulares da rua Oiapoque, esquina com rua Curitiba, centro da capital, que vão pela Via Expressa, importante corredor de tráfego da capital, até pegarem a BR-040, sentido Brasília (DF).

Em uma van branca que seguia para o bairro San Genaro, o motorista e um ajudante gritavam o nome dos bairros por onde passariam em cada ponto de ônibus. Sem nenhum pedido para que os passageiros colocassem os cintos, motorista e ajudante conversaram animadamente durante o percurso, que durou uma hora.

Falando constantemente por um rádio-comunicador instalado ao seu lado, o condutor avisava a colegas sobre eventuais blitze ou carros avistados da PRF (Polícia Rodoviária Federal), responsável pela fiscalização na rodovia federal.

Conversou por duas vezes demoradamente ao celular, fez uma conversão proibida e colocou 19 pessoas dentro do veículo - que era equipado com 15 poltronas, descontando a do motorista. Assim, 4 pessoas, mais o auxiliar, foram em pé até o bairro San Genaro, que fica a 23 km de BH.
No retorno, por coincidência, o UOL Notícias pegou a mesma van utilizada na ida. Avisado pelo rádio, o motorista desviou-se de uma blitz que estava sendo feita na avenida Vereador Cícero Ildefonso, uma das principais saídas para a BR-040, na capital, e fez o desvio por ruas do bairro João Pinheiro, até retomar a Via Expressa e seguir para o centro.

O ajudante informou que o serviço é realizado 24 horas por dia e são feitas oito viagens diárias. Ele se negou a revelar quanto faturam pelo serviço. A passagem (R$ 3,40) pode ser paga com vale-transporte.
A reportagem utilizou o transporte por cinco vezes; quatro nas vans e uma viagem em carro particular. Os horários foram alternados, mas sempre em períodos de pico. Em comum, a superlotação.

O carro particular, um Palio modelo 2001 de cor laranja, estava com os pneus carecas e a lataria danificada em boa parte.

BH Trans não fala
Apesar de o transporte clandestino utilizar ruas e pelo menos um estacionamento da capital, dirigentes da BHTrans, a empresa pública responsável pelo controle do trânsito na capital mineira, não quiseram se manifestar sobre o assunto.

Segundo o artigo 231, inciso VIII, do Código de Trânsito Brasileiro, o motorista flagrado transportando passageiros sob remuneração e sem licença específica terá o carro retido e sofrerá multa de R$ 85,13, além de somar quatro pontos na carteira (infração média).

No entanto, o veículo não é apreendido, sendo liberado após a retirada dos passageiros. A lei é apontada pelo DER como um dos motivos para a proliferação do transporte ilegal no Estado.

Razões do passageiro

Eu pego o que vier primeiro, ônibus, van, carro particular. Eu não fico esperando. Já vi muita loucura desse pessoal, mas fazer o quê?

Fiscalização
A fiscalização nas estradas, de acordo com o DER, é feita de forma itinerante e conjunta com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a Polícia Militar do Estado, em diversos pontos das estradas de Minas Gerais. No entanto, segundo ele, a conivência dos passageiros dificulta o flagrante e a caracterização da infração.

"Os perueiros instruem os passageiros a negarem que pagaram pelo transporte se porventura forem abordados em uma blitz. Se eles não confirmarem que não pagaram, não há como fazer o flagrante. Quando é feito o flagrante, é aplicada a multa, mas logo à frente eles pegam outros passageiros", disse o inspetor Aristides Júnior, chefe de comunicação social da PRF (Polícia Rodoviária Federal), em Minas.

Para tentar responder à "sofisticação" do transporte clandestino, o DER, segundo o assessor técnico Lindberg Garcia, implantou uma "fiscalização itinerante": "Não podemos mais ficar estáticos em um ponto fixo, como era feito anteriormente, porque os perueiros aprimoraram as formas de escapar das blitze."

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