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Nos últimos dez anos, o crescimento da demanda por transporte coletivo nas áreas periféricas e na região metropolitana de São Paulo foi desproporcional ao investimento do governo do Estado nessas regiões. É o que mostra pesquisa da própria administração, divulgada na íntegra nesta quinta-feira (2) pela Secretaria de Transportes Metropolitanos.

Viagens em coletivos duram em média 67 minutos em SP

  • Joel Silva/Folha Imagem

    Estação Sé do metrô, sentido Corinthians-Itaquera, em fevereiro



De acordo com o levantamento, relativo ao período entre 1997 e 2007, a região central da capital paulista ainda concentra grande parte da população, 10,8 milhões de habitantes, mas foi a que teve menor percentual de crescimento demográfico dentre as sub-regiões pesquisadas (11%).

Em contrapartida, sub-regiões como a norte e a leste cresceram 38% e 36,3%, respectivamente. Além disso, o centro perdeu participação relativa no total da população, passando de 58,7% a 55,7%.

O número de empregos, no entanto, ainda se concentra na região central. São 5,9 milhões, ou seja, 65% do total metropolitano. Assim, o paulista precisa se deslocar da periferia onde mora até o local de trabalho.

Este é o principal motivo para o deslocamento dos paulistas conforme a pesquisa. São atualmente 17 milhões de viagens diárias realizadas por causa do trabalho (44% do total), contra 13 milhões em 1997.

Ainda que morando em regiões mais distantes, o paulista está usando mais o transporte coletivo. Segundo a pesquisa, houve uma inversão nos últimos anos em relação ao transporte mais utilizado.

A maioria (55%) passou a utilizar metrô, trem, ônibus, transporte fretado, transporte escolar e lotação, enquanto 45% optam pelo modo individual (automóvel, passageiro de automóvel, táxi, motocicleta e outros). Dos que trabalham, a maioria também se locomove por transporte coletivo (57,3%), enquanto 42,7% usam transporte individual.

Em todas as sub-regiões de São Paulo houve aumento nesta taxa, porém, novamente, a região central obteve menor percentual. Na região norte, houve aumento de 46,7 % dos que usam coletivo, contra 28,6 % no centro.

A pesquisa também mostra que quem opta por transporte coletivo possui menor renda. Em 2007, 36% dos usuários possuíam rendas familiares de até R$ 760 mensais, contra apenas 18% com rendas familiares acima de R$ 5.700.


Expansão do metrô e CPTM
O diretor de planejamento do Metrô de SP, Marcos Kassab, afirma que um dos grandes gargalos do trânsito da capital paulista provém justamente da população que se desloca das regiões periféricas em direção ao centro. "Essa população está preferindo o transporte público em razão da qualidade e um dos motivos para a inversão foi o investimento do governo no setor. Houve mais benefícios e melhoria na integração", avalia.

Atualmente, o metrô possui 61,3 km de extensão. A intenção do governo é ampliar para 240 km até o final de 2010, com 160 km destas linhas da CPTM (trens). Além da expansão das linhas, os recursos deverão ser usados para a compra de 107 trens (em processo de licitação) e reformas dos antigos. O tempo de viagem deve ser diminuído em 25% no sistema metro-ferroviário, e o número de passageiros transportados sobre trilhos aumentado em 55%.

Segundo Marcos Kassab, o objetivo é continuar o plano de expansão, que prevê investimentos da ordem de R$ 20 bilhões durante os quatro anos da atual gestão José Serra (PSDB). "O centro expandido perdeu população, ao contrário da região metropolitana, mas os empregos estão na região central. Temos que melhorar o transporte nessa região para evitar um colapso", completou.

Veja a seguir as principais linhas de metrô e trens de São Paulo e o andamento das obras (use o mouse para navegar pelo mapa):






Das obras constantes no plano de expansão, no entanto, a minoria está em áreas periféricas. Em andamento, estão as obras da Linha-4 Amarela, com 12,8 km, que deve entrar em operação até 2010, com as estações Luz, República, Paulista, Faria Lima, Pinheiros e Butantã; e as da Linha Verde, de Vila Prudente até Oratório, com integração com a Linha 10-Turquesa (CPTM), na estação Tamanduateí, e com o Expresso Tiradentes, na futura Estação Sacomã.

As mais recentes inaugurações ocorreram também na Linha Verde, estendida por mais 1,1 km com a inauguração da nova estação Alto do Ipiranga, em junho de 2007. E a Linha 9-Esmeralda (Ceasa, Villa-Lobos-Jaguaré e Cidade Universitária), ganhou 8,5 km de novas vias.

Já as linhas 5-Lilás (Capão Redondo-Largo Treze), que deve ganhar mais duas estações: Adolfo Pinheiro e Brooklin-Campo Belo, e 6-Laranja (Brasilândia/Vila Nova Cachoeirinha - São Joaquim), as mais próximas de regiões periféricas, ainda estão em fase de projeto.

Segundo o representante do Metrô, a intenção é diminuir o tempo de viagem do paulista até o final de 2010. "Não se pode adotar soluções como abrir grandes avenidas, como a 23 de maio. O custo é enorme e a cidade já não suporta."

Nestas áreas, os investimentos foram feitos em trens da CPTM. São os chamados "Metrô Leve", que dispensam o isolamento por muro, modalidade prevista para a extremidade da Linha 11-Coral.

O mesmo já ocorre na Linha 12-Safira (Brás-Calmon Viana), que ganhou cinco estações "com qualidade de metrô" (USP Leste, Comendador Ermelino, Jardim Helena-Vila Mara, Itaim Paulista e Jardim Romano).

"Antigamente os trens não eram confortáveis e seguros, mas agora a população opta por esse tipo de transporte, porque trouxemos mais qualidade", diz Marcos Kassab, que acredita que o paulista opta por transporte coletivo devido à qualidade do sistema. "Precisamos investir em transporte coletivo de qualidade. Se tiver metrô, as pessoas preferem usar o metrô", finaliza.

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