UOL Notícias Especial Trânsito
 
A estatística é de assustar: o trânsito de Porto Alegre registrou, de janeiro a agosto deste ano, nada menos que 812 atropelamentos de pedestres, com um saldo de 52 mortes. Fazendo as contas, são quase quatro acidentes por dia envolvendo a disputa - cada vez mais violenta - entre veículos e pessoas nas ruas conturbadas da cidade. Pelo último levantamento, já são 660 mil carros para uma população de 1,4 milhão de pessoas da capital gaúcha.

No mesmo período do ano passado, foram 50 mortes por atropelamento em Porto Alegre. Se forem consideradas todas as vítimas fatais de trânsito na cidade em 2009, os atropelamentos respondem por mais de metade dos registros - foram 99 mortes até agosto em acidentes nas ruas da capital.

Para agravar a situação, a principal vítima é a população acima de 60 anos. Segundo dados da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que administra o trânsito de Porto Alegre, metade das vítimas de atropelamento na cidade é formada por idosos.

"Eles nos preocupam muito mais que as crianças, que estão frequentemente cobertas por campanhas educativas", diz o coordenador da Assessoria de Educação para o Trânsito da EPTC, José Nilson Padilha.

Para o coordenador, a violência do trânsito em Porto Alegre tem raízes culturais. "Somos um povo muito agressivo mesmo. E a carapaça do carro parece que muda as pessoas para pior", analisa. "Quando um motorista sinaliza com o pisca que vai dobrar, parece que está ofendendo a mãe de quem atrás", lamenta Padilha.

Segundo ele, o outro protagonista em geral é um motociclista. "Eles respondem por 45% dos registros na cidade, embora representem apenas 8% da frota", compara Padilha. Nos últimos 10 anos, os acidentes envolvendo motos aumentaram a uma média de 10% ao ano.

Mas nem esse cenário sombrio - no ano passado foram 23 mil registros, dos quais 5.500 com vítimas - motivou os porto-alegrenses a deixarem os carros em casa no Dia na Cidade Sem meu Carro, comemorado nesta terça-feira (22) em vários países do mundo.

"A cidade não se preparou para esse dia", reconhece o secretário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Luiz Afonso Senna - ele também é presidente da EPTC. O fluxo de veículos particulares em Porto Alegre não registrou alterações, segundo a empresa. "Temos que mexer na nossa civilidade", desafiou o secretário.

Nem mesmo a prefeitura conseguiu ser criativa para marcar a data. No parque da Redenção, o mais central da cidade, foi montada uma estrutura de divulgação para ações de trânsito seguro e não-poluente, como a substituição de carros por transporte público e bicicletas e o respeito às normas legais, como a preferência dos pedestres nas faixas de segurança. Panfletos informativos foram distribuídos para a população.

Alunos de uma escola estadual localizada na área do parque foram as únicas a participar da atividade nesta manhã. A professora Ana Lúcia Bernese não notou diferença em relação aos dias normais. "O fluxo parece o mesmo. Sempre fazemos passeios por esta região e, se os motoristas estão respeitando mais, é porque a EPTC está instalada aqui", lamenta Ana Lúcia.

No dia 9 de setembro, a prefeitura lançou uma campanha para aumentar o respeito dos motoristas à faixa de segurança. "Queremos mudar o comportamento dos usuários do trânsito. Somos a cidade mais politizada do Brasil e temos a ambição de que Porto Alegre seja admirada também pelo comportamento tanto de motoristas e pedestres", justifica o prefeito José Fogaça (PMDB).

Porto Alegre tem cerca de 6.000 faixas de segurança, mas uma boa parte delas está gasta ou totalmente apagada. A campanha vai durar quatro meses e utilizará chamadas em TV, outdoors, busdoors e spots para rádios. "Motoristas e pedestres são a mesma pessoa. Só que em momentos diferentes", sintetiza o publicitário Fábio Bernardi, autor da campanha.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,32
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,56
    63.760,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host