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Enquanto as capitais do país sofrem com o excesso de carros nas ruas, nas maiores cidades do interior do Nordeste o problema está sobre duas rodas. Nos últimos anos, as motos tomaram conta das ruas das cidades-pólo do interior da região e se tornaram o meio de transporte mais utilizado.
  • Miguel Magalhães/Especial para o UOL

    Motos tomam conta das ruas de Arapiraca, Agreste de Alagoas

  • Miguel Magalhães/Especial para o UOL

    Fernando Lopes conta que economiza quase R$ 200 por mês com sua moto


De acordo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), cinco cidades nordestinas são exemplos do crescimento no número de motos nas ruas: Parnaíba (PI), Juazeiro do Norte (CE), Imperatriz (MA), Mossoró (RN) e Arapiraca (AL). Todas possuem características semelhantes, com mais de 150 mil habitantes e referências no interior de seus Estados. A situação se repete também nos pequenos municípios.

Em 2001, apenas Mossoró tinha mais motos que carros circulando nas ruas, mas a diferença era tímida: apenas 115 carros a menos. Hoje, todos os cinco municípios fogem à regra nacional e possuem mais motos registradas do que carros. Em alguns casos, mais que o dobro. Na média nacional, o número de carros é quase três vezes maior que o de motos e respondem por 58% dos veículos - enquanto as motos ficam com 20%.

A cidade de Parnaíba, a 360 km de Teresina, registrou um crescimento de quase quatro vezes no número de motos. De 5.270 motocicletas registradas em 2001, hoje elas já são 19.599. O número chega a ser o dobro do número carros. Isso sem contar as 6.230 motonetas que circulam pela cidade.

O vendedor de motos usadas em Parnaíba, Ronaldo Menezes, afirma que a procura pelo tipo do veículo é sempre grande. "Agora mesmo estou com três motos para vender", conta. Segundo Menezes, a moto é uma preferência quase absoluta dos parnaibanos, que se tornaram seletivos na escolha dos veículos. "Sempre que tenho boas motos, vendo logo. Quando é bomba ninguém quer. Mas esse mês as vendas tão fracas. O povo está sem dinheiro", afirma Menezes, que ainda alerta: para evitar problemas, a loja em que trabalha só vende motocicletas à vista. "Tem que pagar tudo, não tem isso de financiar", avisa.

Problemas
O crescimento no número de motos também traz problemas ao trânsito das cidades. Isso porque se tratam de municípios de médio porte, que normalmente têm pouca infra-estrutura urbanística, e recebem milhares de pessoas de cidades vizinhas, em busca de compras ou serviços.

Segundo o mestre em engenharia de transportes, Maurício Domingues, as facilidades para aquisição e o baixo custo de manutenção são responsáveis diretos pelo crescimento no número de motos. Mas Domingues alerta para o aumento no número de acidentes na região. "Essa tendência de motos aumentou também o número de pessoas que se acidentam. Não se pode generalizar, mas existem muitos motociclistas que não cumprem as regras de trânsito. Há motoristas que também não respeitam as motos", afirma.

Outro problema está na proliferação dos mototaxistas. Em Arapiraca, a 150 km de Maceió, os dados apontam para a existência de uma moto ou motoneta para cada nove habitantes. Segundo a Superintendência de Trânsito do município, cerca de 650 mototaxistas estão cadastrados, mas a estimativa é que outros 1.500 prestem o serviço ilegalmente.

O número excessivo de motos traz problemas ao trânsito local, inclusive para os motociclistas que usam o veículo a trabalho. "O trânsito aqui está caótico por conta principalmente das motos. O problema maior está nos próprios motoqueiros, que cortam pela direita e fazem coisas erradas", reclama o designer Fernando Lopes, que usa a moto para visitar clientes e fechar negócios.

Lopes conta que fez as contas e largou o uso diário do carro, em 2005, para comprar uma moto. "Hoje gasto R$ 60 por mês de gasolina; e olhe que rodo muito na cidade. Se fosse no carro, gastaria pelo menos R$ 250. Tenho um carro também, mas uso ele raras vezes, mais para passear", afirma.

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