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As ruas lotadas, o trânsito lento e os quilômetros de congestionamento não são exclusividade dos grandes centros do Sul e Sudeste. Na região Nordeste, o crescimento da frota acontece em um ritmo maior que a média nacional e tornou o fluxo de veículos pelas ruas uma das maiores preocupações das capitais da região.

Frota das capitais

Fortaleza 609.312
Salvador 568.148
Recife 427.861
Natal 241.619
Teresina 227.516
São Luís 201.702
João Pessoa 191.769
Aracaju 175.321
Maceió 174.735

Desde o início da década até maio de 2009, as cidades nordestinas mais que duplicaram a frota e ganharam 4,6 milhões de novos veículos. Os dados são do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e mostram que no país a frota teve um crescimento de 107%, enquanto na região essa alta foi de 156%. Hoje existem 7,6 milhões de carros, motos, ônibus e outros veículos circulando nas cidades da região. Há dez anos, esse número era de 2,9 milhões.

Curiosamente, dois dos três Estados mais pobres da região registraram os maiores crescimentos. Maranhão e Piauí tiveram um incremento na frota de 235,9% e 230,2%, respectivamente. A Bahia ainda lidera em números absolutos, com 1,8 milhão de veículos, seguido por Pernambuco, que tem 1,4 milhão.

Além de superar a média nacional na década, o Nordeste mostra fôlego e nos primeiros oito meses deste ano o número de emplacamentos cresceu em oito dos nove Estados da região - com exceção do Rio Grande do Norte (- 8,23%). Neste mesmo período, segundo a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores), o país registrou queda de 6,64% nos emplacamentos. Por conta da redução do IPI, o segmento de carros novos teve uma pequena alta de 3,92%.

Metrópoles sofrem
As complicações no trânsito são maiores nas três metrópoles regionais: Fortaleza, Salvador e Recife. Juntas, as cidades concentram 1,5 milhão dos veículos que circulam nas ruas, fora os municípios que formam as regiões metropolitanas. Todas já enfrentam problemas graves de engarrafamentos e discutem soluções para o problema.

Para o mestre em engenheira de transportes Maurício Domingues, ex-membro do Conselho Nacional de Trânsito, a estrutura viária das maiores cidades nordestinas não acompanhou o ritmo do crescimento da frota. "Esse aumento é uma tendência natural, mas as cidades não foram planejadas para esse volume de veículos. A gente vê isso aqui no Recife, onde andar em determinados horários de pico é bastante complicado", afirma.
  • Carlos Madeiro/UOL

    Maurício largou Salvador para morar em Maceió. Hoje vive "na paz" do trânsito da capital de AL


Segundo Domingues, a solução passa por investimentos não só na infra-estrutura viária, mas também na melhoria do transporte público. "Alguns pontos você consegue melhorar com obras físicas. Mas outros, não. Algumas ações de tecnologia, como os semáforos controlados em tempo real, também ajudam. Mas é essencial melhorar o serviço público. Hoje não há qualidade para incentivar o usuário de carro a deixar o veículo em casa. As novas estações do metrô, por exemplo, não têm estacionamento para veículos. Como posso deixar meu carro e seguir um percurso no metrô? Não tem como", questiona o engenheiro.

Outro cenário em Maceió
O menor número de veículos do Nordeste é encontrado em Maceió, que tem 174 mil veículos. Foi lá que o representante farmacêutico João Maurício Oliveira foi morar em fevereiro de 2006 após deixar Salvador, sua terra natal. Como passa boa parte do tempo se deslocando, o trânsito acabou sendo um dos motivos de comemoração da transferência para a capital alagoana.

"Em Salvador o trânsito é um inferno total. Aqui, comparado a lá, é uma tranquilidade. Temos apenas uma avenida principal que engarrafa, enquanto em Salvador são quatro grandes. Enquanto lá levo uma hora e meia para cruzar a cidade, aqui levo no máximo 20 minutos", explica Oliveira, que roda em média 450 km por semana para visitar clínicas e hospitais.

Segundo ele, a mudança para a capital alagoana melhorou sua qualidade de vida. Ele conta que, em Salvador, um representante passa um terço do tempo do trabalho preso no trânsito. "As empresas farmacêuticas fizeram um estudo e viram quanto tempo se perde dentro do carro. Isso há seis, sete anos. Chegava em casa estressado. Imagine agora. Aqui não, os trajetos são mais curtos e menos complicados de serem feitos. Em termos profissionais, essa mudança foi muito boa", afirma.

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