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Semana sem carro:
de ônibus

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    O ponto final do ônibus é diante de casa de madeira, construída à época dos colonos da região de Marsilac, último bairro de SP


Atualizada às 20h31

São Paulo teve nesta sexta (25), data que encerrou a semana do Dia Mundial Sem Carro, o 3º pior trânsito do ano e o maior índice de lentidão neste mês. Por volta das 19h, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrava 222 km de vias congestionadas, o pico de trânsito do dia. De acordo com a companhia, a causa da lentidão foi o "excesso de veículos".

O recorde histórico de trânsito foi registrado em 10 de junho deste ano, quando 292 km de vias estavam congestionadas. Em 9 de abril, o segundo pior trânsito da história: 233 km de lentidão.

Em torno de 20h20 desta sexta, a cidade estava com 154 km de vias congestionadas, segundo a CET. A situação pior é na zona sul, com 49 km de lentidão, seguida pela zona oeste (45 km) e pelo centro (29 km).

A marginal Tietê tem trânsito carregado no sentido Castelo Branco entre a ponte Cruzeiro do Sul e a Júlio de Mesquita nas pistas expressa e local. Mais cedo, praticamente toda a extensão da marginal no sentido Castelo ficou congestionada.

De metrô

  • Haroldo Ceravolo Sereza/UOL

    Favela próxima à estação Vila das Belezas, na zona sul de São Paulo, é vista do metrô


Já no sentido Ayrton Senna, não há grandes trechos de congestionamento, diferente do que ocorria por volta das 19h.

A avenida dos Bandeirantes tem trânsito lento no sentido marginal entre o acesso ao corredor Norte-Sul e a rua Funchal. No sentido inverso, a lentidão vai da marginal até a avenida Santo Amaro. O corredor Norte-Sul também tem trânsito carregado no dois sentidos, entre a avenida Interlagos e a praça Campo de Bagatelle.

Já o corredor Leste-Oeste tem trânsito lento do Brás até a Lapa, no sentido oeste. No sentido leste, a situação do trânsito melhorou e praticamente não há pontos de congestionamento.

SP recebe 1,2 milhão de veículos em um ano
A frota de veículos no Estado de São Paulo recebeu, entre junho de 2008 e junho de 2009, o aporte de 1,2 milhão de unidades e atingiu a marca de 19,5 milhões, segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo).

A cidade de São Paulo ainda concentra maior quantidade de veículos por habitante, mas o maior aumento da frota, em números relativos e absolutos, ocorreu fora da capital (interior, litoral e municípios da Região Metropolitana).

Só na cidade de São Paulo já são 6,55 milhões de veículos, entre carros, motos, vans, utilitários, caminhões, ônibus, entre outros. Se todos os veículos fossem colocados na rua ao mesmo tempo, seriam necessárias duas capitais e meia, levando em conta que a cidade possui 16 mil km de vias e considerando que o tamanho médio de um veículo é de aproximadamente 6 metros. Enfileirados, os veículos dariam uma volta completa no planeta Terra, que possui cerca de 40 mil km de circunferência.

A proporção na capital - que, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), possui atualmente 11 milhões de habitantes - é de um veículo para 1,68 morador. No Estado (com 41,4 milhões de habitantes), a proporção é de um veículo para 2,12 moradores. Já se a cidade de São Paulo for excluída do cálculo, a proporção é de um veículo para 2,34 habitantes.

Nos últimos dez anos, a frota de veículos no Estado recebeu 7 milhões de novas unidades, saltando de 11,9 milhões em janeiro de 1999 para 18,9 milhões no mesmo mês deste ano. Considerando o crescimento médio da frota nos últimos 17 anos - em torno de 110 mil unidades - a estimativa é que o Estado tenha atualmente 19,7 milhões de veículos e ultrapasse a marca de 20 milhões em dezembro.

Capital tem menor aumento da frota
Para o engenheiro Hugo Pietrantonio, especialista em planejamento de transporte urbano, o aumento da frota não é o problema. "A frota no Brasil ainda tem espaço pra crescer. A menos que se queira cidadãos de duas categorias [com e sem carro]. Posse do automóvel não significa necessariamente uso. A tendência é que o crescimento da frota gere aumento no tráfego, mas a racionalização do trânsito pode resolver esse problema."

De acordo com os dados do Detran, a frota de veículos cresceu aproximadamente 30% na capital na última década. Fora da cidade de São Paulo, no entanto, o aumento foi bem maior: 77%. Em todo o Estado, o aumento da frota foi de 58%. "Isso é natural. Como as cidades menores têm um nível de motorização menor, a mudança é mais notável", diz o engenheiro.

"Em cidades do interior, há congestionamentos em ruas que anteriormente não havia trânsito intenso. Cada vez mais as cidades têm problemas de circulação antes. Hoje, uma cidade de 100 mil habitantes já tem problemas de trânsito, o que antes não ocorria", acrescenta Pietrantonio.

Veja imagens da última terça-feira, Dia Mundial Sem Carro

Apesar de ainda corresponderem a 65% dos veículos no Estado e a 75% na capital, os carros perderam espaço para outras modalidades na composição da frota, sobretudo em razão do aumento de motos e utilitários (micro-ônibus, vans, caminhonetes, entre outros). Há dez anos, os carros de passeio representavam 72% dos veículos do Estado e 79% da cidade de São Paulo.

O número de motos cresceu 278%, saltando de 1,29 milhão em 99 para 3,6 milhões em janeiro deste ano. Já o crescimento dos utilitários foi de 77% - 1,08 milhão para 1,7 milhões na última década, segundo o Detran.

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