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O aumento da frota de motocicletas em Belo Horizonte fez surgir no centro da capital mineira o "ajeitador de motos", função semelhante ao do tradicional flanelinha (guardador de carros), mas cuja incumbência é conseguir encaixar o maior número possível de motos nas vagas de rua da cidade. A frota de motocicletas em BH cresceu, em média, 16,05% nos últimos quatro anos, enquanto os carros tiveram crescimento de 7,42%, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

  • Rayder Bragon/UOL

    O"ajeitador de motos" tem função semelhante ao do tradicional flanelinha (guardador de carros), mas cuja incumbência é conseguir encaixar o maior número possível de motos nas vagas de rua de BH

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    Segundo o Denatran, contabilizados até maio de 2009, são cerca de 150 mil motos na cidade


De acordo com a BHTrans (empresa que gerencia e fiscaliza o trânsito na cidade), existem 876 vagas disponíveis para motocicletas no centro da cidade, sendo que, em toda a capital, elas somam 4.504. Conforme dados do Denatran, contabilizados até o mês de maio de 2009, são cerca de 150 mil motos no município. Apesar do pequeno número de vagas no centro, alguns motoboys ouvidos pelo UOL Notícias revelaram que grande parte da clientela está justamente instalada nessa área.

Apesar de gratuitos, quem utiliza os espaços não escapa de ser abordado por pessoas que dizem "zelar" pelas motocicletas. No entanto, para acomodar o maior número possível delas, as motos são encaixadas bem próximas umas das outras, o que é feito manualmente, com o motor desligado.

Para o professor Ronaldo Gouvêa, coordenador do Nucletrans (Núcleo de Transporte da Escola de Engenharia da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais), o crescimento da frota sobre duas rodas se deve à fuga do usuário do transporte coletivo.

"Essa não é uma prerrogativa de Belo Horizonte. O crescimento da frota de motos está espraiado pelo Brasil. No caso específico de BH, o transporte coletivo é caro, não é confiável e confortável. Assim, por a moto ser um veículo mais barato, muitos afluem a ele", disse.

Um dos maiores pontos de parada de motocicletas no centro fica no quarteirão da rua São Paulo, entre as ruas Tamoios e Amazonas. Nesse trecho, atuam três homens. Um deles, que não quis ser identificado, contou à reportagem ganhar ao final do mês aproximadamente R$ 700 com o trabalho. Ele é casado e tem uma filha de 4 anos.

"Trabalho há um ano e meio nesse local. Pode perguntar a quem você quiser se alguma moto já foi arranhada aqui ou teve alguma peça roubada", afirmou.

O motoboy Walison de Menezes, 23, entretanto, afirmou ter sido prejudicado com a técnica - além de ter que pagar pelo serviço. "Como todo motoqueiro tem de vir ao centro, porque é aqui que nós trabalhamos mais, eles quase que empilham as motos. Elas ficam muito próximas umas das outras e, na hora de manobrar para sair ou estacionar, é fatal acertar o tanque da outra do lado", contou, "e não adianta reclamar, temos de pagar e ir embora". Além disso, Menezes diz ter sido vítima de uma prática comum na rua: o roubo de retrovisores. "Já perdi a conta de quantos retrovisores tive de comprar para repor", lamentou.

Por outro lado, o garçom Carlos Augusto, 26, revelou que nunca teve problemas no local, apesar de reclamar do desembolso, em média, de R$ 20 por mês com o estacionamento, que é público.

Segundo o responsável pela segurança da área, o major Alfredo Veloso, comandante da 6ª Companhia da Polícia Militar, ao cobrar pelo estacionamento, a pessoa comete o crime de extorsão. "Não é permitido cobrar nesses locais. Se alguém o faz, pode ser preso por extorsão. O problema é que, na maioria das vezes, há conivência entre o usuário e o infrator e não há a denúncia", disse.

Ainda segundo Veloso, no mês passado houve apenas uma ocorrência por furto de retrovisor. "Eu acredito que o número [de furtos] é bem maior porque na quase totalidade dos casos a vítima não presta queixa", revelou.

"Flanelinhas" regularizados
A maioria dos espaços destinados aos carros no centro da cidade são tarifados e normalmente monitorados pelos tradicionais "flanelinhas", que vendem o cartão Faixa Azul (semelhante à Zona Azul de São Paulo) aos usuários de automóveis geralmente por preços acima do que a prefeitura estabelece no tíquete, que é de R$ 2,60 a unidade.

Em Belo Horizonte, a prefeitura normatizou a função de "lavador e guardador" de carro no ano de 1994, levando em conta a existência de uma lei federal. Os "flanelinhas" foram cadastrados nas subprefeituras e, desde então, eles passaram a usar uniformes e crachás. Não há tabela fixando valores cobrados dos motoristas nem a obrigatoriedade de o serviço prestado ser remunerado.

Na regional centro-sul, responsável pela área central da cidade, existem 1.500 lavadores e guardadores de carro no cadastro do órgão. Reclamações sobre o serviço pode ser feita pelo telefone 156.

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