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Fernando Rodrigues



25/01/2006
Um enigma

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Lula chamou ontem os líderes governistas ao Palácio do Planalto. Defendeu a derrubada da verticalização. É grande a chance de a regra cair hoje na Câmara.

Esse dispositivo obriga alianças nacionais a serem respeitadas nos Estados durante uma eleição. Justo, pois impede as traficâncias de tempo de rádio e TV nos Estados.

Com essa limitação, é natural que PMDB, PFL, PP, PTB, PL, PSB e adjacências defendam a queda da verticalização. Querem mercadejar à vontade no interior do país os seus horários eleitorais, ficando livre nos plano nacional para negociar o apoio a algum candidato a presidente.

Até aí, nada de anormal. A esquisitice é Lula ter entrado na canoa.

Com ou sem verticalização, o petista não terá o apoio formal de nenhum dos grandes partidos. PSDB e PFL são adversários. O PMDB é o PMDB e dispensa conjecturas.

O tempo de TV de Lula ficará restrito ao que têm o PT e microssiglas como PC do B, PMN e PCB. Com a queda da verticalização, poderá agregar o PSB e, talvez, os mensaleiros PTB e PL -uma operação explosiva e arriscada.

Mas, mesmo encaçapando PSB e mensaleiros, a queda da verticalização fará brotar um cenário com seis candidaturas hostis a Lula.

Além de um tucano (Serra ou Alckmin), devem estar no palanque eletrônico Roberto Freire (PPS), Jefferson Péres ou Cristovam Buarque (PDT), Heloísa Helena (PSOL) e Enéas (Prona). Todos brincando de ser candidato a presidente, mas ocupando-se o dia inteiro de bombardear Lula na TV. O sexto candidato anti-Lula pode ser alguém do PMDB (Garotinho ou Germano Rigotto).

Grosso modo, Lula montou ontem um esquema para que na eleição presidencial ele fique sozinho contra seis adversários ferozes o atacando.

De quebra, deixará o país pior. Derrubar a verticalização é retroceder nos (poucos) bons costumes que a política nacional tem. Isto é Lula.


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