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Fernando Rodrigues



30/01/2006
Os marqueteiros

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Vários publicitários de renome no mundinho político tendem a ficar de fora das eleições neste ano. Nizan Guanaes, Nelson Biondi e Duda Mendonça são alguns -por motivos públicos diferentes.

Há uma profunda mudança em curso na área político-propagandística brasileira. Parece que a moda agora é ser "conhecido pela discrição", como se tal feito fosse possível quando se trata de marketing.

O fenômeno dos marqueteiros no Brasil passou por alguns estágios. Na volta do país à democracia, nos anos 80, a maioria desses profissionais vinha do jornalismo, fazia propagandas pobres esteticamente na comparação com a já boa qualidade técnica da TV nacional. A inflexão foi em 1989, com Fernando Collor -emblematicamente tendo Duda Mendonça entre seus colaboradores.

Os anos 90 foram para os profissionais de marketing político no Brasil uma espécie de eldorado. Cobravam-se milhões de dólares. Os políticos pagavam. Em 98, alguém teve a idéia de levar para um pequeno Estado do Nordeste um técnico em software de edição digital de vídeo. O assombro dos locais foi parecido ao dos índios quando viram Caramuru atirar para o ar com uma carabina.

Políticos ignorantes, publicitários gananciosos e falta de estrutura partidária decente foram três fatores que fizeram a riqueza de muitos desses marqueteiros.

Chegou o século 21 e hoje até os políticos do interior têm acesso à internet. Fazer um clipe com qualidade razoável custa centavos de real. A fórmula de uma campanha eleitoral já é conhecida por todos: pesquisas quantitativas, qualitativas, grupos assistindo ao programa previamente e momento histórico adequado.

É possível que ainda alguns ganhem muito dinheiro na eleição de outubro. Pode até ser. Nesse caso, são políticos e marqueteiros de mãos dadas enganando os eleitores.


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