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Fernando Rodrigues



01/02/2006
Mais atraso à vista

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A Câmara quer aprovar uma lei para supostamente reduzir os custos de campanhas eleitorais e limitar o uso de caixa dois.

Como toda idéia ruim vitoriosa, o projeto tem uma lógica quase cartesiana. Se for aprovado, ficam proibidos showmícios, outdoors, camisetas, bonés e outros itens que fazem parte possivelmente de 100% das campanhas políticas no planeta Terra. Sem ter com o que gastar, os políticos roubarão menos. Fala o relator, deputado Moreira Franco (PMDB-RJ): "A única forma de diminuir o custo de campanha é proibir a exacerbação do uso de engenhos publicitários".

Para Moreira Franco, a competição acirrada na campanha faz surgir sempre alguém querendo gastar muito com esses itens que serão proibidos. Com a nova lei, raciocina, "vai se economizar o dinheiro do adversário e o outro também não rouba".

Esse argumento desconsidera a lei atual: o caixa dois já é proibido. O problema não está na dupla caipira cobrar milhões para cantar em comícios. Nem no candidato que manda espalhar mil outdoors pela cidade. O crime ocorre pelo uso do "dinheiro não-contabilizado", como diz o PT, para pagar tais despesas.

Ao abandonar a possibilidade de fazer a lei ser cumprida, os deputados assumem uma derrota. É como se proclamassem: "O Brasil não tem jeito". Como ninguém respeita a lei, como todos roubam, façamos outra legislação proibindo as pessoas de se expressarem na campanha. Vamos culpar o sofá pelo adultério.

Candidatos pobres do interior ficarão proibidos de fabricar duas dúzias de camisetas no fundo do quintal. Será crime. Como esses já não aparecem nos programas de TV, estarão banidos da campanha eleitoral, sem meio de se expressarem.

Por que não fiscalizar e punir os políticos que não declaram seus gastos? Não. É mais fácil proibir tudo.

Se nada for feito, o projeto pode ser votado amanhã. E continua valendo a máxima: toda vez que um deputado tem uma idéia, o Brasil piora.


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