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Fernando Rodrigues



08/02/2006
Fidelização do pobre

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Lula lançou ontem mais uma parte do seu programa de fidelização do eleitor pobre. O pacote de incentivos à construção civil e habitação popular é um bálsamo para ajudar a consolidar o voto dos menos favorecidos na seara petista.

A estratégia é clara. Lula mostra não estar a passeio nessa empreitada. O pacote anunciando ontem prevê a liberação por bancos públicos e privados de um total de R$ 18,7 bilhões para habitação e construção civil neste ano. Também foi zerado o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 13 itens usados na construção. É muita coisa.

A pesquisa Datafolha do último fim de semana mostrou Lula se recuperando, sobretudo entre os mais pobres. Com as medidas anunciadas ontem, a idéia é fazer com que esse naco do eleitorado não se disperse até o dia 1º de outubro.

Há uma certa euforia no ar dentro do Palácio do Planalto. Beira o impróprio. Ontem, dentro do local reservado a autoridades, uma claque se levantou antes da fala presidencial. Bem treinados, gritaram: "Lula de novo, moradia para o povo".

Para dar, vá lá, credibilidade ao evento, outro fato inusitado na cerimônia: a projeção de uma reportagem do "Jornal Nacional", da TV Globo, afirmando que os investimentos de Lula na habitação popular são maiores do que os de FHC.

Presente ao evento grande fauna política. O ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC), cujo mandato foi anulado pela Justiça sob a acusação da compra de votos, apareceu para "prestigiar o pessoal". Feliz, Ronivon assistiu tudo à frente de Lula.

Depois do pacotaço da habitação, Lula seguiu em viagem para a África -onde reforçará uma vez mais a sua imagem de presidente preocupado com os pobres. Essa é a chave do discurso reeleitoral do petista. Fidelizar o eleitorado menos favorecido ao seu redor. A oposição precisa correr.


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