UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

- Saiba quem é
Fernando Rodrigues



11/02/2006
Primeiro turno

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O cenário eleitoral para outubro deu uma grande guinada.

Com Lula enfraquecido pelo "mensalão" e a queda da verticalização, a possibilidade era de uma inflação de candidatos médios na urna eletrônica. Bastou o PT demonstrar que seu candidato será competitivo para que essa previsão se invertesse.

Se a tendência de melhora de Lula nas pesquisas se consolidar até maio, quando os partidos ficarão obrigados a tomar alguma decisão, há uma possibilidade de poucos candidatos de porte médio surgirem na disputa pelo Palácio do Planalto.

Quando FHC tentou a reeleição, em 1998, não havia verticalização. O tucano era bem avaliado (a economia já tinha ido para o brejo, mas o povão ainda não sentia). Apresentaram-se 12 candidatos, mas três deles somaram, juntos, 95,74% -FHC, Lula e Ciro Gomes, pela ordem. O tucano bateu na trave e entrou: faturou a reeleição logo no primeiro turno (53,06% dos votos válidos).

Agora está difícil identificar quem fará o papel de Ciro Gomes. Em tese, o candidato do PMDB vestiria esse figurino, na faixa dos 10%. Ocorre que é grande a chance de os peemedebistas fazerem "forfait". Sobrariam então os postulantes a nanicos, como Heloísa Helena, Cristovam Buarque e Roberto Freire.

No quartil superior, só Lula e um tucano. A chance de a polarização levar o eleitor a se decidir logo no primeiro turno, seja lá para que lado for, não é desprezível.

Para quem está no governo, o mais confortável é liquidar a fatura no primeiro turno. O raciocínio oposto vale para a oposição. Um segundo turno permite um debate mais claro entre duas propostas políticas.

Aos tucanos, pelo menos no momento, interessaria inflar o número de candidatos no pleito de outubro. Logo eles, que em 1998 praticamente destruíram o PMDB para que essa sigla, mansamente, ficasse de fora. Hoje está tudo ao contrário.




COLUNAS ANTERIORES IMPRIMIR ENVIE POR EMAIL