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Fernando Rodrigues



20/02/2006
"Nada ficou provado"

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O Brasil é o país do "nada ficou provado". Paulo Maluf saltitou pela política por 40 anos até ser preso por poucas semanas acusado de constranger testemunhas, não porque tenha sido provada corrupção por ele cometida.

Nos casos do "mensalão" e suspeitas de caixa dois também para tucanos, é quase a mesma coisa. Lula vai melhorando sua popularidade. Aécio Neves vai se reeleger governador de Minas Gerais. E bola para a frente. O paradigma mais atual é o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Ele foi ao Congresso e mentiu. Apanhado na contradição, disse ter usado uma palavra sem se "apegar à acepção estrita do termo". E daí? Daí nada. PSDB e PFL emudeceram.

Ontem, surgiram mais indícios de esquisitices paloccianas. O jornal "Correio Braziliense" publicou dados sobre o curioso Ademirson Ariovaldo, secretário particular do ministro há 15 anos, e, segundo Palocci, alguém "extremamente humilde".

Pois de 2003 a 2005, o celular usado por Ademirson recebeu mais de 30 mil chamadas. Quem falava com Palocci passava pelo secretário. Tudo bem. Normalíssimo.

Ocorre que a turma toda de Ribeirão Preto, metida até o pescoço com suspeitas de irregularidades, ligou centenas de vezes para o manjado celular de Ademirson/Palocci.

Se o ministro se dizia afastado desse pessoal, por que tantas conversas no período em que passou a ser o titular da Fazenda? Rogério Buratti, o mais notório de todos, tem mais de cem telefonemas com Ademirson. Segundo a reportagem do "Correio", foi "frenética" a troca de telefonemas no período de renovação do milionário contrato da Caixa Econômica Federal com a empresa Gtech, que informatiza as loterias federais.

É mínima a chance de haver alguma conseqüência real para os indícios mostrados nos telefonemas de Adermirson/Palocci. Nada ficou provado, vão dizer. É verdade. Aliás, nada foi nem será investigado.


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