UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

- Saiba quem é
Fernando Rodrigues



08/03/2006
Lula e a verticalização

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


É comum ler nos quadros de "quem ganha e quem perde" que Lula é um perdedor com a manutenção da verticalização.

As alianças nos Estados terão de respeitar os acertos nacionais. O PMDB não vai nem querer pensar em dar o vice para Lula. Tudo verdade. Mas a conta está incompleta.

O PMDB corre o risco de ficar sem candidato a presidente. Partidos médios e nanicos, como o PDT e o PPS (ex-partidão), também podem não lançar nomes para o Planalto. Ótimo para Lula, que terá menos opositores a atacá-lo no rádio e na TV.

O PSDB também pagará um preço alto para ter o PFL ao seu lado. De novo, excelente para o petista. Lula terá seu principal adversário em meio a uma aliança conflagrada e mal ajambrada.

Política não é uma ciência, mas os números ajudam a clarear o cenário. Em 1998, havia três candidatos competitivos: FHC, Lula e Ciro Gomes. Deu FHC no primeiro turno.

Em 2002, havia quatro candidatos no páreo: Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes. A disputa foi para o segundo turno.

Quem será o Ciro Gomes desta vez? E o Garotinho? Ninguém sabe.

Os nomes de maior relevância depois de Lula e de um tucano podem acabar sendo os de Heloísa Helena (PSOL) e Enéas (Prona). Dificilmente ambos serão capazes de dividir o eleitorado a ponto de levar a eleição para o segundo turno.

Como se sabe, o primeiro turno é quase inútil para o confronto de idéias e de projetos. O candidato favorito se recusa a ir a debates -basta lembrar FHC e Lula.

A chance de o eleitor conhecer um pouco mais duas propostas diferentes é haver segundo turno. Só que a manutenção da verticalização, por enquanto, torna mais provável um cenário de fatura liquidada no primeiro round. Lula não poderia desejar um ambiente melhor para ganhar mais quatro anos no Planalto.




COLUNAS ANTERIORES IMPRIMIR ENVIE POR EMAIL