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Fernando Rodrigues



15/03/2006
O PSDB partido

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A cúpula do PSDB decidiu ontem que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, será o candidato tucano a presidente -em detrimento do outro postulante, o prefeito paulistano, José Serra.

Foi uma cena melancólica no final da tarde. Os tucanos vivem a exaltar sua suposta alta noção republicana, mas apareceram rachados em público. José Serra não estava lá para a inexorável foto de todos dando as mãos e erguendo os braços.

O discurso da unidade é quase patético. Ninguém se entende no PSDB. O presidente da sigla, Tasso Jereissati, manda quase nada. Omisso durante meses, acordou há poucas semanas para descobrir que perdera completamente as rédeas do processo.

FHC quase teve um chilique quando soube da decisão de anteontem de José Serra, que optou por não aceitar prévias. O governador mineiro, Aécio Neves, só pensa nele e em sua própria candidatura ao Planalto em 2010.

Alckmin sai com o apoio que conquistou na burocracia partidária. A tática é antiga, mas eficaz. Até Maluf conseguiu tal façanha dentro da Arena, nos anos 70, em plena ditadura militar (a Arena logo depois acabou). Quércia operou da mesma forma no PMDB dos anos 80 (e o PMDB é o nada que se vê por aí).

O tucano pode deslanchar, ganhar a Presidência. Mas o PSDB será então o "partido do Alckmin", de um dono. A não ser que seja tomado pelos militantes e estabeleça vínculos reais com os eleitores, tende a se tornar só uma confederação de interesses regionais, como tantas outras.

Os tucanos nasceram no final dos anos 80, de uma costela destacada do PMDB. Queriam ser uma opção ao caciquismo e governismo atávico dos dirigentes peemedebistas.

Hoje, quase 20 anos depois, pensam que são sociais-democratas, agem muitas vezes como se fossem modernos, mas não sabem como estão cada vez mais parecidos com o PMDB.


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