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Fernando Rodrigues



18/03/2006
Público e privado

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A grande discussão na praça é até onde deve ir a investigação de uma CPI ou da imprensa quando ocorre uma imbricação entre a vida pública e a privada de uma determinada pessoa. O caso estrepitoso do momento é o do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Em resumo, dá-se o seguinte:

1) o ministro nega ter freqüentado uma notória casa de lobby, usada em Brasília por uma tropa de amigos ou ex-amigos dele, todos encrencados com malfeitos a granel. Inclusive de tráfico de influência na área de bingos. Eis a razão de a CPI dos Bingos olhar para o assunto;

2) um motorista afirma que o ministro mentiu. Palocci teria ido até a casa de lobby mais de uma vez;

3) Nildo, o ex-caseiro da casa, confirma a mesma história. Palocci teria freqüentado várias vezes o local. O rapaz agora está enrolado com depósitos curiosos que apareceram em sua conta bancária.

É impossível dizer quem está falando a verdade. Nota-se pelos depoimentos que assuntos particulares eram também tratados naquela casa. O governo começa a gritar dizendo que temas da vida privada não devem ser tratados em CPI. Aí está o ponto. Não é bem assim.

Pode até ser um flagelo para um homem público se algum dia uma parte de sua vida privada venha a aparecer numa investigação de corrupção. Mas esse é o ônus de quem decide ocupar um cargo no governo. Palocci é esse homem.

Mesmo que agora o caseiro Nildo possa vir a ser desqualificado por alguma razão, o que foi dito deve ser investigado. Se o ministro da Fazenda mentiu dentro do Congresso a respeito de suas relações com gente que freqüentava um latrina ocasionalmente usada para lobby, paciência, terá de responder por essa atitude. Menos do que isso é achar que a lassidão sem fim da Justiça deve ser a regra, e não a exceção, no Brasil.


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