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Fernando Rodrigues



15/04/2006
Oposição à deriva

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


As CPIs estão para a corrupção assim como o vento está para o frio em Estocolmo no inverno. Quando venta, a sensação de frio cresce na cidade sueca. No Brasil, a instalação de uma CPI dá a impressão de corrupção infinita no país.

É evidente que o PT e Lula fizeram muitas estripulias no poder. A degradação foi grande. Há fios desencapados com risco de curtos-circuitos. Mas as pesquisas mostram que o eleitorado se recusa a creditar a Lula a responsabilidade maior pelo pântano moral reinante em Brasília.

Quando Fernando Collor sofreu o impeachment, em 1992, a popularidade de seu governo estava em 9%. A administração Lula marcou 37% no início deste mês.

Essa abulia infinita do eleitorado talvez tenha origem na leniência além da média aqui nos trópicos. OK. Mas é um exagero concluir que a população emburreceu politicamente nos últimos 14 anos -até porque foi o período em que o Brasil passou pelo iluminismo (sic) tucano, com FHC oito anos no Planalto.

A oposição anda histérica. Não consegue furar o bloqueio criado pelo binômio "eleitor acomodado-economia crescendo". Líderes do PFL e do PSDB espalham boatos sobre as próximas acusações contra Lula e culpam a mídia se nada acontece.

Enquanto tucanos e pefelistas esperam o tal extrato bancário de Paulo Okamotto, o governo avança. O PT coloca no ar semana que vem comerciais dizendo que Lula terá inflação mais baixa do que FHC, crescimento médio mais alto e caminhões de dinheiro para os pobres. São fatos difíceis de serem contestados.

Pode não ser o Brasil ideal. Aliás, não é. Mas, por enquanto, dá para o gasto para Lula e o PT se agüentarem lá em cima. A não ser que PSDB e PFL convençam os eleitores de que são mais honestos e, desta vez, farão o país crescer de maneira mais acelerada. A tarefa não é fácil.


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