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Fernando Rodrigues



26/04/2006
A utilidade do vice

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A criação do cargo de vice remonta aos tempos em que era difícil fazer uma nova eleição quando o presidente da República ficava impedido de governar por muito tempo ou em definitivo.

A mania se estendeu a governadores e prefeitos. O Senado elevou ao paroxismo a escolha desses candidatos ao ócio: para cada cadeira de senador, há dois esdrúxulos suplentes. Em resumo, há no Brasil milhares de pessoas eleitas e totalmente sem função. Mas muitos têm direito a carro, motorista, mordomias e tempo de sobra para conspirar.

Essa tradição também nasceu numa época em que a comunicação era difícil. O presidente viajava de carroça e alguém precisava ficar formalmente respondendo pelo país.

Hoje, tudo mudou. Fazer uma eleição é algo quase automático, mesmo num país continental como o Brasil. As urnas eletrônicas provaram sua eficiência em pleitos sucessivos. Em alguns anos, será possível ao eleitor votar da sua própria casa.

Quando o presidente viaja, é patética a transferência de cargo. Muitos vices aproveitam e fazem fotos com parentes e correligionários ao assumir a cadeira pela primeira vez. Depois, ficam de papo para o ar. As decisões continuam nas mãos do titular. A telefonia por satélite acabou com a necessidade de estar presente no país para poder governar.

A rigor, a importância do vice hoje se resume a dois itens, quando o nome é de partido diferente daquele do candidato à vaga de titular: 1) emprestar o tempo de TV e 2) eventualmente alavancar a votação pelo prestígio próprio do escolhido para vice.

No caso do casamento do PSDB com o PFL, nenhum dos vices propostos ajudam os tucanos. Tempo de TV o PSDB já tem o suficiente. Votos, José Jorge e José Agripino não os têm em quantidade para dar a Alckmin. É desoladora a situação da oposição. Não se entende sobre algo banal e sem a mínima relevância eleitoral.


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