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Fernando Rodrigues



08/05/2006
Silvinho e a República

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Silvio Pereira fez muitos relatos reservados ao longo dos últimos meses. Agora, contou de maneira aberta ao jornal "O Globo" parte relevante do que sabe sobre o mensalão e o financiamento ilegal ao PT.

Explosivas, suas afirmações dependem de algum tipo de confirmação formal para colocar de novo fogo na crise. Esse é o ponto. Sem a validação numa CPI ou num depoimento ao Ministério Público, Silvinho será apenas mais um a produzir muito calor e pouca luz no atual escândalo.

O ex-dirigente do PT será pressionado a comparecer à CPI dos Bingos nesta semana para relatar o que sabe. É altamente improvável que Silvinho apareça. Se der o ar da graça, é possível que esteja monitorado e faça a opção pelo silêncio.

Uma informação importante guardada por Silvinho é a da montagem da versão do caixa dois:

"O Marcos Valério disse que tínhamos três hipóteses: "A primeira é derrubar a República. Vamos falar tudo de todos. PT, PSDB, PFL. Não sobra ninguém. A segunda hipótese é a tática PC Farias: ficar calado. Só que ele morreu. A terceira é um acordo negociado, de caixa dois". Eu queria a hipótese número um, mas acabei sendo voto vencido".

De todas as suas afirmações, essa é a mais relevante, por possibilitar uma checagem material de fatos. Em reserva, Silvinho já descreveu o local e o horário da reunião em que Marcos Valério apresentou as tais três hipóteses. O ex-dirigente petista chega a se recordar até da padaria na qual foram encomendados os sanduíches para saciar a fome dos presentes.

Uma acareação entre os envolvidos na operação seria, no mínimo, constrangedora para os citados. Na montagem da trama, Silvinho disse estar disposto a derrubar a República. Ingênuo, ele é uma ponta frágil do esquema. Será certamente esmagado. Mas é louvável que seja o único com coragem para falar sobre o assunto.


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