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Fernando Rodrigues



13/05/2006
18 milhões de votos à deriva

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Quando terminar hoje a convenção nacional do PMDB (ainda que contestada na Justiça), cerca de 18 milhões de votos poderão estar à deriva na disputa presidencial. Esses são aproximadamente os eleitores que ficarão sem candidato preferencial se os peemedebistas de fato enterrarem a possibilidade de ter nome próprio ao Planalto em outubro.

Anthony Garotinho é o pré-candidato do PMDB mais bem colocado nas pesquisas. Pontuava cerca de 15% em levantamentos eleitorais até o final do mês passado. O Brasil tem cerca de 121 milhões de eleitores. A convenção do PMDB de hoje decidirá se a sigla deve ou não ficar no páreo para presidente da República.

Há relevância política e aritmética nessa decisão do PMDB. Desde que o Brasil passou a ter democracia estável -de 1994 para cá-, só há segundo turno se o número de candidatos competitivos for de pelo menos quatro. Por candidato competitivo entenda-se os que pontuam solidamente além de 10%, pelo menos.

Em 1994, FHC teve 54,3% e levou já no primeiro turno -Lula pontuou 27%; o terceiro colocado foi Enéas, com 7,4%. Em 1998, a história se repetiu. FHC teve 53,1% e ganhou de cara, com Lula marcando 31,7% e Ciro Gomes ficando com 11%.

Em 2002, só houve segundo turno (com vitória de Lula sobre Serra) porque na primeira fase da disputa o terceiro colocado, Garotinho (à época no PSB), teve 17,9%, seguido por um forte quarto concorrente, Ciro Gomes, com 12%. Desta vez, é possível que não existam candidatos para desempenhar os papéis de Garotinho e de Ciro há quatro anos.

Resumo da ópera: ou Geraldo Alckmin (PSDB) herda todos os votos de Garotinho, ou será muito difícil para os tucanos reverterem o favoritismo de Lula. Daí a importância da decisão de hoje. Se o PMDB optar por sair do processo, estenderá o tapete vermelho para que o PT entre por mais quatro anos no Palácio do Planalto. Haverá contestações na Justiça, mas a decisão política estará tomada.


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