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Fernando Rodrigues



24/05/2006
Crimes na Câmara

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Está em curso na Câmara dos Deputados um caso análogo ao da lista secreta dos mortos na crise de segurança paulista. O governo do Estado de São Paulo se recusou a divulgar os nomes das pessoas mortas. Também na Câmara, até ontem à noite, não eram conhecidos oficialmente os deputados e os senadores envolvidos diretamente no caso dos "sanguessugas". Os responsáveis pela não-divulgação dos nomes dos congressistas são Ciro Nogueira (PFL-PI) e Robson Tuma (PFL-SP). Acima deles, há Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Câmara dos Deputados -em igual estado de prostração corporativista. Nogueira e Tuma alegam estar analisando os arquivos recebidos da Polícia Federal. É uma desculpa. Estão há uma semana com os dados à disposição. São planilhas eletrônicas.

A Câmara têm 15,7 mil funcionários. Em uma ou duas horas seria possível dizer, com precisão, o que está ali dentro. Um desses arquivos é o livro-caixa da empresa Planam, acusada de vender ambulâncias superfaturadas pelo país. Na lista de contas a pagar, há mais de dez políticos relacionados a valores recebidos. Não se deve condenar ninguém de maneira açodada, mas é inadmissível que a Câmara dos Deputados ainda não tenha aberto um procedimento formal de investigação sobre, pelo menos, esses nomes. Ciro Nogueira é o corregedor da Câmara. Robson Tuma foi nomeado por ele para "analisar" (sic) os arquivos. Cada minuto perdido nessa tarefa é uma vitória da impunidade. Em alguns dias, o Congresso vai parar. Em julho haverá o recesso. Depois virão as eleições. Nessa linha, Ciro Nogueira e Robson Tuma trabalham com vigor para desmoralizar ainda mais a Câmara.


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