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Fernando Rodrigues



29/05/2006
Uma lei pró-PT

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


De todas as incapacidades operacionais da oposição, a mais fenomenal foi a tal "minirreforma eleitoral", transformada em lei neste mês -proibindo showmícios, outdoors, camisetas, bonés e brindes em geral.

Não é necessário pesquisa científica para responder a uma pergunta simples: quem eram os candidatos e os partidos em eleições passadas que mais se utilizavam desses itens agora proibidos? Resposta: os candidatos das siglas tradicionais de centro-direita e de direita, como PFL, PP, PTB e PL.

O PT é um partido rico há alguns anos, é verdade, mas ainda ficava atrás dos mais tradicionais quando se comparava o número de outdoors pelas ruas. Ao morador de São Paulo basta um exercício de memória. Em períodos eleitorais, a cidade sempre teve um volume maior de cartazes de Paulo Maluf do que de candidatos petistas.

Pois agora, graças a uma lei que teve o patrocínio inicial do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), os candidatos conservadores perderam seus maiores canais de comunicação com os eleitores.

Não que o PT também deixasse de se beneficiar da mercantilização da política. Por outro lado, os petistas ainda privilegiavam outro tipo de ação, por meio de militância -paga (hoje quase sempre) ou não.

Tudo para dizer que devem ser tomadas com muito cuidado as previsões apressadas sobre redução das bancadas petistas nas Assembléias Legislativas e no Congresso. O senso comum é dito e repetido: o PT será o partido que mais perderá cadeiras na Câmara.

Quando se analisa caso a caso as vagas petistas nos Estados, não é possível identificar uma brutal redução de políticos do PT no Poder Legislativo. Muito pelo contrário. Para desespero da oposição.


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