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Fernando Rodrigues



14/06/2006
Eleição atípica

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A cada nova pesquisa de intenção de voto divulgada, vai ficando claro que a eleição de outubro é atípica na comparação com os outros pleitos presidenciais pós-ditadura militar. O levantamento do Ibope de ontem aponta, como tantos outros, para uma vitória de Lula no primeiro turno. A diferença para disputas anteriores é a inexistência de fatores, pelo menos visíveis e escancarados, que possam modificar o cenário. Como se não bastasse, essa poderá ser a eleição com o menor número de candidatos. Em 1994, a campanha de FHC foi anabolizada apenas no final de junho -com o lançamento do Plano Real.

Recordo-me de Romário na concentração brasileira nos EUA manuseando uma nota de real para deleite dos fotógrafos. Em 1998, a corrida presidencial foi apertada. Qualquer um bem informado sabia que o país estava quebrado e que o câmbio iria explodir. FHC não se fez de rogado. Conseguiu em São Paulo os apoios de Paulo Maluf e de Mário Covas. Aparecia junto aos dois em outdoors pela cidade. Nunca é demais lembrar que o acerto com Maluf foi regado a benefícios milionários que o Banco do Brasil concedeu à cidade de São Paulo, comandada pelo malufismo à época.

Em 2002, o PSDB entrou esfacelado na campanha. Mesmo assim, a presença de quatro candidatos competitivos -Lula, Serra, Ciro e Garotinho- não permitia a ninguém prever o resultado em junho daquele ano. O ponto a registrar é: nunca um candidato apareceu tão cedo como franco favorito como é o caso de Lula agora. O Ibope dá pistas: 55% acham o governo de Lula melhor que o de FHC. Como são administrações praticamente idênticas, o eleitor parece não enxergar vantagens em fazer uma mudança de comando.


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