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Fernando Rodrigues



26/06/2006
O vazio envernizado

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Tarso Genro, articulador político de Lula, caminha rapidamente para superar Márcio Thomaz Bastos (ministro da Justiça) na arte de muito falar e nada dizer. Encarna de maneira quase nunca vista a vacuidade do discurso político da administração Lula.

"A reforma do Estado está na agenda do governo?", perguntou, objetivamente, Malu Delgado ontem na Folha. Responde Tarso: "É um debate que várias forças políticas estão propondo sobre o futuro, que vai ser ou não contemplado no debate eleitoral. Não há nenhuma proposta do governo do presidente Lula formalizada sobre isso, mas há, sim, uma preocupação". Como assim, "vai ser ou não contemplado"? Tudo vai ser ou não contemplado, por óbvio. Mas qual é a posição do governo? É um enigma que Tarso não se presta a decifrar para o distinto eleitor. Mais adiante, outra pérola do nada discursivo sobre a reforma da Previdência: "É um tema que se impõe (...) Cada um vai enfrentar com uma visão de mundo". As respostas genéricas de Tarso poderiam ser usadas para reagir a qualquer pergunta. O PT vai se aliar a mensaleiros e a seus partidos nos Estados? "É um debate que várias forças políticas estão propondo sobre o futuro". Lula é contra a ocupação do Iraque por tropas dos EUA? "É um tema que se impõe (...) Cada um vai enfrentar com uma visão de mundo".

Com seu sotaque gaúcho e sua articulação beletrista, Tarso sintetiza o sonho de todos os petistas: ser visto como progressista, comprometer-se com nada e deixar as ações do futuro em aberto. Assim será o próximo governo Lula. Pistas sobre como serão mais quatro anos de PT? Tarso diria que só "através de condutas objetivas". O problema é: objetividade é artigo de luxo e raro no mundo lulista.


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