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Fernando Rodrigues



24/07/2006
Sanguessugas e eleição

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Ainda é incerto o efeito do escândalo dos deputados e senadores sanguessugas na eleição. Nos diversos relatos do caso, passa de cem o número de congressistas envolvidos. Quase todos os principais partidos políticos têm gente encrencada, do PSDB ao PT, passando pelos mensaleiros clássicos (PP, PL e PTB) e por siglas tarefeiras como PMDB e PFL. Os neo-éticos tucanos e pefelistas certamente terão dificuldade para usar o caso apenas contra seus adversários. Os petistas também devem optar por um surto de afasia -pois não será fácil eximir o Ministério da Saúde de, no mínimo, ter sido leniente com a tramóia.

Ontem, revistas e jornais, esta Folha inclusive, trouxeram farto material sobre os sanguessugas. Não se trata apenas de mais uma acusação comum no oceano de irregularidades vividas pelo Congresso. É, com segurança, o mais bem documentado episódio de roubalheira dentro do Poder Legislativo federal desde o retorno do país à democracia há 21 anos. Pode-se argumentar que já houve corrupção de maior porte. É verdade. Mas desta vez há provas documentais muito contundentes.

Como as eleições para a Câmara são proporcionais, é raro um candidato a deputado gastar seu tempo para apontar desvios de conduta de seus oponentes. Até porque há sanguessugas em toda parte e existem vagas para todos. Não é desprezível a chance de a maioria ser reeleita. Tudo para dizer que a solução desse caso está nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral. O artigo 14 da Constituição permite a impugnação do "mandato eletivo" antes da posse se houver "provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude". Existem provas. Se essa escória for reeleita, poderá ser impedida de voltar ao Congresso. Basta coragem e ousadia do TSE.


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