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Fernando Rodrigues



26/07/2006
A estratégia de Lula

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Nos seus comícios inaugurais de campanha, o candidato Lula deu uma demonstração de como poderá ser seu discurso até o dia da eleição: muita comparação com o governo passado, falando sobretudo para as parcelas mais pobres do eleitorado. As pesquisas mostram Lula com grande força nas classes menos favorecidas, tendo ficado um pouco órfão na ponta de cima da pirâmide do eleitorado. O petista aparenta, ao menos momentaneamente, ter pouco interesse pelos eleitores individuais mais ricos.

A exceção são os setores da economia que mais ganham dinheiro, como os bancos. No repertório lulista, é bom as instituições financeiras terem alto lucro. Como as pesquisas começam a mostrar um placar no olho mecânico no final do primeiro turno, fica difícil compreender as razões que explicariam a estratégia adotada por Lula. No comício de anteontem à noite, um fracasso retumbante de público em Brasília, o petista deixou escapar uma boa chance de lustrar a imagem.

Para começar, atrasou sua fala em mais de uma hora. Perdeu uma entrada ao vivo no "Jornal Nacional", da TV Globo. Falou como o típico Lula palanqueiro, olhando para o público (não para a câmera), rosto suado e tom de voz diferente da do candidato "paz e amor" de 2002. Em resumo, quase uma derrota do ponto de vista do marketing. É possível, por explicações ouvidas dentro do PT, que Lula tenha se decidido por esse caminho por considerá-lo o mais seguro: falar a quem tem propensão a ouvi-lo com mais condescendência. Se for mesmo assim, os lulistas precisarão de nervos de aço até o final. Tudo indica que uma eventual vitória no primeiro turno será apertada. E o maior risco de Lula, sabe-se, é perder para si próprio.



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