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Fernando Rodrigues



29/07/2006
Provas em profusão

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Durante o caso do mensalão ouvia-se que o governo Lula era o mais corrupto da história. É difícil comprovar de maneira minimamente científica essa afirmação. Não existe um "corruptômetro" que meça os diversos governos, de maneira sucessiva. Já no caso dos deputados e senadores sanguessugas é possível afirmar que, desde o retorno do país à vida democrática plena, em 1985, nunca houve tantos políticos envolvidos num caso de roubalheira e, eis aí a diferença, tantas provas à disposição da Justiça.

Certamente o país já teve escândalos com somas superiores de dinheiro, muita gente envolvida e esquemas mais sofisticados. O mensalão, dizia Roberto Jefferson, encrencava 80 congressistas. Ocorre que pessoas-chave nunca entregaram as provas necessárias. No caso dos sanguessugas há uma profusão de evidências que serão convertidas em provas no processo judicial. O conhecimento dos detalhes comezinhos prestam um serviço ao país. Mostram como se comportam na intimidade as "suas excelências", os congressistas.

Jornalistas estamos o tempo todo angustiados por intuir certos malfeitos nos corredores do Congresso sem ter como noticiá-los. Agora, há documentação a respeito. As formas de propina revelam a indigência ética de parte do Congresso. Um deputado recebeu uma máquina de cafezinho para seu gabinete. O genro de uma senadora quis a quitação de uma dívida de R$ 35 mil. Outro pediu um carro com o seguro já pago. Os de paladar mais apurado exigiram passagens para toda a família ir a Nova York -certamente para passear nas charretes jecas do Central Park. A melhor atitude da CPI dos Sanguessugas é continuar, como tem feito, a dar ampla divulgação às evidências que for encontrando.


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