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Fernando Rodrigues



07/08/2006
O fim da era Fidel Castro

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Há alguns anos não vou a Cuba, mas já estive na ilha mais de uma vez, a trabalho e a passeio. Duas lembranças são recorrentes. Primeiro, a candura da população em meio a um paraíso tropical. Segundo, o medo que ronda quase todos os habitantes, condenados a viver fora do mundo real. No início dos anos 90, pós-fim da União Soviética, faltava de tudo em Cuba para os cubanos. Já os estrangeiros compravam produtos de consumo básico nas deploráveis "tiendas para turistas".

Ao sair de uma dessas lojinhas, um cubano estendeu-me um maço de notas amassadas de US$ 1 e pediu: "Por favor, compre xampu para mim". Quantos frascos, perguntei. "Dois litros", foi a resposta. Entrei novamente na "tienda" e saí em seguida com os produtos de uma marca cubana genérica. Entreguei ao rapaz amedrontado que me esperava do lado de fora. Em outra oportunidade, o taxista que me levou para cima e para baixo em Havana pediu apenas um favor no dia em que me despedi: "Compre um videogame para meu filho". Só havia modelos obsoletos à disposição. O menino ficou feliz ao receber um antiquado Atari.

Numa viagem a trabalho, precisei fazer uma radiografia da macroeconomia de Cuba. Algo quase impossível. Exceto se algum funcionário do governo surrupiasse papéis de dentro dos ministérios. Pessoas certas nos lugares certos ajudaram. Acabou funcionando. Cuba foi um erro histórico. Irreparável. Não há saúde e educação que possa ser usada em troca de liberdade de expressão e do direito de ir e vir. O fim da era Fidel talvez faça brotar uma bananeira em cada esquina em Cuba. Será péssimo. Mas é melhor quando o desenvolvimento vem pelo desejo coletivo e não pela imposição de uns poucos.


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