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Fernando Rodrigues



06/09/2006
Partidos falidos

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Geraldo Alckmin foi sincero na sabatina promovida pela Folha ao dizer que o Brasil não tem agremiações que possam ser chamadas de partidos políticos. O desânimo da campanha do PSDB é a prova viva dessa afirmação. Indagado se não se incomodava com os apoios de tantos tucanos a Lula nos Estados, Alckmin disse que, no Brasil, a política é personalista, depende mais do candidato do que das declarações a favor. É uma forma de ver as coisas.

Ser candidato a presidente num país com democracia estabelecida é algo diferente. Mesmo o derrotado tem a chance única de discutir e propor políticas públicas. O partido perdedor pode, numa campanha, dar as diretrizes para cobranças nos quatro anos seguintes. Aqui, essa situação não existe. Quando um candidato não emplaca nas pesquisas, passa a ser tratado por todos com ar de enfado. Não é desdém. É economia de tempo.

Suas idéias e palavras não terão conseqüência mais adiante. É evidente que o PDT não se transformará no partido da educação pós-derrota de Cristovam Buarque. O PSOL não será a sigla do socialismo igrejeiro depois que Heloísa Helena sair de cena. Nem o PSDB encarnará o método alquimista e metódico de ser a partir de 2007. Cada um toma seu rumo. A fila anda. Em 2010, tudo de novo. Alckmin fala em fidelidade partidária para reformar a política. Não elabora sobre como debelar o caciquismo continuísta nas principais siglas. O PT é de Lula. O PSDB é dos paulistas. O PFL é, há 500 anos, uma sesmaria dos mesmos mandatários. Do PMDB, é melhor nem falar. Fidelidade, nesse cenário, não seria solução. Seria um pesadelo. A Câmara fez sua parte. Derrubou o voto secreto no Congresso. Agora é com o Senado.



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