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Fernando Rodrigues



11/09/2006
Uma lei (ruim) que pegou

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O ex-presidente José Sarney escreveu semana passada que a minirreforma eleitoral é uma lei que deu certo. Mais ou menos. Depende do que é dar certo. A lei 11.300 proibiu showmícios, camisetas, bonés e brindes. Sua faceta mais visível está nas ruas: há mais limpeza geral. E daí? "Será um bem ou será um mal?", para ficar com a indagação de Sarney.

Não conheço eleição no planeta Terra em que os políticos e seus correligionários não possam usar faixas, cartazes de tamanhos variados e camisetas para se expressarem. A lei brasileira criou uma jabuticaba eleitoral. Só existe aqui. Cidades mais limpas são um bem. Óbvio. Ninguém é a favor da sujeira. Ocorre que o problema de eleições anteriores não era a permissão para colocar cartazes, mas sim a incapacidade dos órgãos públicos de punir quem cometia exageros. Na dúvida, os liberais brasileiros resolveram proibir tudo.

Showmícios são outro tema polêmico. Sarney fala sobre o alívio para o bolso dos políticos. Pagavam milhões a duplas sertanejas. Mas o grave não era o pagamento. O crime residia em alguns políticos usarem dinheiro sujo, de caixa dois ou de mensalão, para contratar as apresentações. Na dúvida, de novo, proibiu-se tudo.

O liberalismo brasileiro é assim. Quando não sabe conviver com algumas liberdades, suprime um direito. Com essa nova lei, a eleição só ficou mais chata. O voto não será mais sofisticado ou consciente porque sumiram as camisetas, bonés e showmícios. Em certa medida, é até possível que o brasileiro esteja menos informado. Um coisa, porém, é certa: tornou-se mais difícil para um político desconhecido vencer um pleito. Nesse sentido, como diz Sarney, que já está dentro do clube, essa é uma lei que pegou. E muito bem.



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