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Fernando Rodrigues



20/09/2006
O tempo e os efeitos

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Nada mais fácil no caso do dossiê/entrevista da família Vedoin do que apontar o dedo para os possíveis responsáveis. Falar sobre a incapacidade atávica de Lula de perceber o tipo de gente que o cerca -no mínimo. Ou dizer que é necessário investigar mais o que ocorreu na área de saúde durante a gestão tucana de José Serra.

O difícil nesse episódio é prever o efeito real dessas notícias nas campanhas eleitorais, sobretudo a presidencial. Faltam dez dias para a eleição. Basicamente, em tese, o que pode acontecer é alguma inversão de tendências que leve a disputa para o segundo turno. Embora seja impossível prever o desfecho, dada a abundância de informações e pelo que mais pode surgir, há alguns fatores já na superfície: 1) o noticiário político das TVs é dominado pelo tema; 2) o assunto é ainda incompreensível para as classes D e E -a maioria dos eleitores; 3) é nítido que não interessa a Lula nem a Serra prolongar essa crise, pois ambos correm o risco de sair perdendo.

Alckmin vai aos poucos calibrando o discurso na TV. Começou mal ontem cedo. Foi aumentando o tom ao longo do dia. Convenhamos, é difícil explicar para o eleitor um caso envolvendo Freud, que foi contatado por Gedimar por uma conexão com Valdebran para negociarem uma entrevista e/ou um dossiê com a família Vedoin. Para arrematar, dizer que Freud andava para cima e para baixo com Lula há quase duas décadas. Mas Freud nega, Lula nega e a vida continua. A chave de toda essa história é a origem dos cerca de R$ 2 milhões usados na operação. Se a identidade do financiador aparecer logo, e se for possível estabelecer um vínculo claro com Lula, aí talvez a casa possa cair. Vindo menos que isso, é arriscado prever grandes alterações no atual quadro eleitoral.



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