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Fernando Rodrigues



30/09/2006
Envelhecimento precoce

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


É compreensível que, no retorno à democracia, as regras para debates tenham sido tão rígidas num país acostumado a manipulações de redes de TV. Mas o modelo em vigor sofre de envelhecimento precoce. Foram quase inúteis os debates nas TVs ao longo da campanha, tanto nos planos estaduais como no federal. Chegou-se ao paroxismo no encontro dos presidenciáveis na quinta-feira, na TV Globo, cujo início foi tomado por uma descrição infindável de complicadas regras. Nenhuma novidade. Nenhum esclarecimento capaz de melhorar o voto dos eleitores.

"O tema é infra-estrutura", dizia o locutor. O candidato escolhido então começava a falar sobre corrupção. O político incumbido de comentar emendava sobre educação ou outro assunto nada relacionado a infra-estrutura. É evidente que não há como obrigar as pessoas a falar o que não querem. Democracia é assim. Também não tem muito cabimento esperar que todos os candidatos estejam disponíveis, o tempo todo, para todos os debates de todas as emissoras de TV e rádio. Em alguns países, a sociedade civil se ocupa de montar associações independentes que organizam os encontros entre presidenciáveis. As TVs livremente transmitem. Nos Estados Unidos funciona assim.

Se a discussão sobre reforma política acabar mesmo vingando, não seria ruim se alguma modernização nessa área fosse incluída. Algum critério objetivo deveria ser estabelecido para que fossem chamados apenas os dois ou, no máximo, os três mais bem colocados nas pesquisas de opinião. De outra forma, chegaremos em 2010 novamente como estamos hoje. O candidato favorito se recusa a debater, repetindo o que outros fizeram no passado.



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